sábado, 15 de abril de 2017


Remuneração do Crescimento Humano

 

                            O amadorismo, sobreafirmação do amador, leva a uma espiral que se fecha no tempo, aos poucos as pessoas dando as desculpas mais esfarrapadas para irem saindo, até que no final a intenção original enfraquece e morre de inanição, vazia de quase todos, exceto os envergonhados remanescentes que se sentiriam mal se saíssem também. Fica só o constrangimento como herança dos tolos que se acham acima dos outros. Trabalhar por remuneração não é errado; é o que se faz com ela que por vezes pode ser – a distinção útil sendo se é para uso coletivo ou em nome do individualismo, superafirmação do EGO.

                            O que se quer como meta é a instalação de um novo modo de pensar e imaginar que se ponha contra a opressão, que se distinga por desejar e praticar o modo justo de ser PARA TODA A HUMANIDADE e não só para alguns, privilegiados com o sofrimento alheio. Esse novo modo de ser depende de continuidade, de décadas e décadas de subsistência, o que demanda o uso profissional da socioeconomia, da produçãorganização, como reflexo dela. Como subsistir por décadas sem mirar profissionalmente, como meio e não com fim, o lucro? Pois é preciso remunerar os profissionais. Bons e ótimos profissionais só trabalham por bons e ótimos pagamentos. E assim não teremos de ficar agradecendo o tempo todo o desprendimento dos que não são crentes verdadeiros da dignidade alheia – é pagar e levar.

                            Desse modo, das idéias que cedermos à CH devemos extrair remuneração adequada, baseada nos favores que forem feitos aos governos e às empresas, que certamente podem pagar quando sejam de médias a grandes e gigantes, fazendo-se PELO BEM (pro bono) para as pequenas e micro, os bairros e as comunidades. Não se trata de ser Robin Hood, que é idiotice, mas da mais pura lógica: "quem tem bota e quem não tem tira" -terminalmente tendo-se o "sem fins lucrativos".

                            Idéias são difíceis de ter ou de outro modo existiriam muito mais do que estão disponíveis; não fossem valiosas não seriam tão ciumentamente registradas em todo o mundo. As nossas devemos valorizar também, vendendo-as a peso de ouro quando ouro forem – o que significa no mínimo saber avaliar e ter um grupo ajuizado de avaliadores, que pensem a oferta antes de ofertar a tal ou qual. Porque se trata de habilitar ou potencializar nossas aspirações de realização, que só acontecerão na medida em que tivermos em caixa dinheiro sobrando para pagá-las. A ilusão da bondade humana geral (ela existe, desde já, para 50 %) nos levaria rapidamente a becos sem saída da inoperância. Se ela fosse geral não estaríamos sentindo a necessidade de colocar a CH para corrigir algumas graves distorções.

                            Desse jeito, devemos ter dentro da CH um GRUPO DE AVALIADORES do potencial das idéias, exigindo-se dos políticos do Legislativo, dos governantes do Executivo, dos juizes do Judiciários e dos empresários a assinatura de contratos em que a CH seja citada nominalmente como assessoria qualificada, contra pagamento de acompanhamento de projetos, sejam os de âmbito local ou de amplitude nacional. A modéstia só nos levaria à ineficiência e ao naufrágio das iniciativas, e a pena ou dó dos circunstantes: "olhem lá mais um que fracassou".

                            Se REALMENTE acreditamos no fazer, no entregar produtos viáveis à coletividade, devemos cobrar, de modo a sempre ter caixa que embase as realizações.

                            Vitória, terça-feira, 09 de dezembro de 2003.

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