Remuneração do
Crescimento Humano
O amadorismo,
sobreafirmação do amador, leva a uma espiral que se fecha no tempo, aos poucos
as pessoas dando as desculpas mais esfarrapadas para irem saindo, até que no
final a intenção original enfraquece e morre de inanição, vazia de quase todos,
exceto os envergonhados remanescentes que se sentiriam mal se saíssem também.
Fica só o constrangimento como herança dos tolos que se acham acima dos outros.
Trabalhar por remuneração não é errado; é o que se faz com ela que por vezes
pode ser – a distinção útil sendo se é para uso coletivo ou em nome do
individualismo, superafirmação do EGO.
O que se quer como
meta é a instalação de um novo modo de pensar e imaginar que se ponha contra a
opressão, que se distinga por desejar e praticar o modo justo de ser PARA TODA
A HUMANIDADE e não só para alguns, privilegiados com o sofrimento alheio. Esse
novo modo de ser depende de continuidade, de décadas e décadas de subsistência,
o que demanda o uso profissional da socioeconomia, da produçãorganização, como
reflexo dela. Como subsistir por décadas sem mirar profissionalmente, como meio
e não com fim, o lucro? Pois é preciso remunerar os profissionais. Bons e
ótimos profissionais só trabalham por bons e ótimos pagamentos. E assim não teremos
de ficar agradecendo o tempo todo o desprendimento dos que não são crentes
verdadeiros da dignidade alheia – é pagar e levar.
Desse modo, das
idéias que cedermos à CH devemos extrair remuneração adequada, baseada nos
favores que forem feitos aos governos e às empresas, que certamente podem pagar
quando sejam de médias a grandes e gigantes, fazendo-se PELO BEM (pro bono)
para as pequenas e micro, os bairros e as comunidades. Não se trata de ser
Robin Hood, que é idiotice, mas da mais pura lógica: "quem tem bota e quem
não tem tira" -terminalmente tendo-se o "sem fins lucrativos".
Idéias são difíceis
de ter ou de outro modo existiriam muito mais do que estão disponíveis; não
fossem valiosas não seriam tão ciumentamente registradas em todo o mundo. As
nossas devemos valorizar também, vendendo-as a peso de ouro quando ouro forem –
o que significa no mínimo saber avaliar e ter um grupo ajuizado de avaliadores,
que pensem a oferta antes de ofertar a tal ou qual. Porque se trata de
habilitar ou potencializar nossas aspirações de realização, que só acontecerão
na medida em que tivermos em caixa dinheiro sobrando para pagá-las. A ilusão da
bondade humana geral (ela existe, desde já, para 50 %) nos levaria rapidamente
a becos sem saída da inoperância. Se ela fosse geral não estaríamos sentindo a
necessidade de colocar a CH para corrigir algumas graves distorções.
Desse jeito, devemos
ter dentro da CH um GRUPO DE AVALIADORES do potencial das idéias, exigindo-se
dos políticos do Legislativo, dos governantes do Executivo, dos juizes do
Judiciários e dos empresários a assinatura de contratos em que a CH seja citada
nominalmente como assessoria qualificada, contra pagamento de acompanhamento de
projetos, sejam os de âmbito local ou de amplitude nacional. A modéstia só nos
levaria à ineficiência e ao naufrágio das iniciativas, e a pena ou dó dos
circunstantes: "olhem lá mais um que fracassou".
Se REALMENTE
acreditamos no fazer, no entregar produtos viáveis à coletividade, devemos
cobrar, de modo a sempre ter caixa que embase as realizações.
Vitória,
terça-feira, 09 de dezembro de 2003.
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