Há no prédio onde
alugamos apartamento uma caixa d’água de dois metros de diâmetro por um de
profundidade, portanto (πr2 =) 3,15 metros cúbicos de água, que
chamamos de “poça”, pois não chega a ser uma piscina propriamente dita. Estando
de licença, de vez em quando desço para ficar nela, com ou sem Gabriel, e a J.,
faxineira do prédio disse “o senhor, que é privilegiado, pode usar”.
Bom, isso serve para
raciocinarmos sobre duas coisas.
Primeiro quão pouco
basta para os brasileiros acharmos os demais privilegiados, tão baixo as elites
nos conduziram em sua sanha incontornável de superacumulação.
Segundo, olhando as
classes:
OS
PRIVILÉGIOS DAS CLASSES DO TER (em relação aos de baixo)
·
Privilégios
dos ricos (A)
·
Privilégios
dos médios-altos (B)
·
Privilégios
dos médios (C)
·
Privilégios
dos médios-baixos ou pobres (D)
·
Privilégios
dos miseráveis (E), pois eles têm hoje coisas que não existiam no passado.
Como existem cinco mundos, repetindo
as classes ABCDE, de primeiro a quinto, os do terceiro, como o Brasil, são em
geral privilegiados por comparação com os de quinto, como Angola.
Agora, de fato, sou privilegiado, pois
como fiscal ganho perto de sete mil reais, hoje coisa de 29 salários mínimos de
240 reais ou pouco mais de 2,37 mil dólares por mês. Já ganhei 40 SM e porisso
sou agora menos privilegiado. E isso, como fiscal, para continuar a validar um
sistema errado, que recolhe os tributos todos ao povo para dá-lo como mil
facilidades às elites, de quem os governos são escritórios, escritórios do
Capital burguês nacional e mundial.
De fato, eu sou, mas tomar banho numa
poça não chega a ser um privilégio muito grande. Então, existem privilégios e
privilégios, dos grandes aos pequenos. Como a riqueza, o privilégio é relativo,
ele pode crescer desde o não-privilégio, que é absoluto como a pobreza e a
mentira, até o infinito, que só ao UM compete.
Vitória,
quarta-feira, 03 de dezembro de 2003.
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