Línguas Mortas
O personagem de
James Spader em Contato Alienígena,
2003, um professor universitário de línguas, diz que o Dicionário Oxford "mais recente" em relação ao presumido
tempo presente do filme lista "615 mil palavras", "cinco mil a
mais que apenas três anos atrás", salvo engano.
Lembro-me que lá
pela década dos 1970 dizia-se que os dicionários ingleses já tinham mais de 500
mil palavras, o que eu achava espantoso demais. Isso quer dizer que, se
contarmos o ano inicial da década e o mínimo mesmo de 500 mil palavras, até
agora se passaram 33 anos e foram acrescentadas um máximo de 115 mil palavras,
cerca de (115/33 =) 3,5 mil por ano, tal sendo medida válida da aptidão
acrescida da língua inglesa-americana (pois o grande incrementador atual são os
EUA, não o Canadá, a Grã-Bretanha, a África do Sul, a Austrália ou quem quer
que seja), isto é, mensuração de sua capacidade de sobreviver na luta pela
seleção ou escolha do MAIS APTO, quer dizer, o que tem mais e melhor futuro.
No mínimo isso está
dizendo que a língua inglesa tem mais chance de sobreviver, está deixando maior
número de descendentes no futuro, como outrora o fizeram o latim e o grego,
diante de tantas línguas mortas. A língua inglesa ESTÁ MATANDO, está dando
cabo, terminando com várias outras, está liquidando-as aos magotes, aos montes.
Está deixando para trás, no presente e no passado, uma quantidade não
especificada de esqueletos de línguas, embora várias resistam, inclusive o
português, que na edição do Houaiss digital tem 320 mil vocábulos, ou seja, de
modo simples (o raciocínio nunca é somente linear, mas não deixa de ser uma boa
aproximação preocupante) (320/615=) pouco mais de 50 % do potencial de
sobrevivência da outra, que lhe é em quantidade de falantes e em qualidade
expressiva de vocábulos SUPERIOR, isto é, dominante.
E assim deve ter
sido também com as línguas antigas, pré-sapiens, e dos sapiens as que vieram
morrendo, sobrevivendo ainda mais de oito mil falares, muitos deles à beira da
morte. Como descobrir os rastros ou restos dessas línguas que morreram, que
foram mortas por falares maiores e melhores?
Vitória, sábado, 06
de dezembro de 2003.
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