quarta-feira, 12 de abril de 2017


Línguas Mortas

 

                            O personagem de James Spader em Contato Alienígena, 2003, um professor universitário de línguas, diz que o Dicionário Oxford "mais recente" em relação ao presumido tempo presente do filme lista "615 mil palavras", "cinco mil a mais que apenas três anos atrás", salvo engano.

                            Lembro-me que lá pela década dos 1970 dizia-se que os dicionários ingleses já tinham mais de 500 mil palavras, o que eu achava espantoso demais. Isso quer dizer que, se contarmos o ano inicial da década e o mínimo mesmo de 500 mil palavras, até agora se passaram 33 anos e foram acrescentadas um máximo de 115 mil palavras, cerca de (115/33 =) 3,5 mil por ano, tal sendo medida válida da aptidão acrescida da língua inglesa-americana (pois o grande incrementador atual são os EUA, não o Canadá, a Grã-Bretanha, a África do Sul, a Austrália ou quem quer que seja), isto é, mensuração de sua capacidade de sobreviver na luta pela seleção ou escolha do MAIS APTO, quer dizer, o que tem mais e melhor futuro.

                            No mínimo isso está dizendo que a língua inglesa tem mais chance de sobreviver, está deixando maior número de descendentes no futuro, como outrora o fizeram o latim e o grego, diante de tantas línguas mortas. A língua inglesa ESTÁ MATANDO, está dando cabo, terminando com várias outras, está liquidando-as aos magotes, aos montes. Está deixando para trás, no presente e no passado, uma quantidade não especificada de esqueletos de línguas, embora várias resistam, inclusive o português, que na edição do Houaiss digital tem 320 mil vocábulos, ou seja, de modo simples (o raciocínio nunca é somente linear, mas não deixa de ser uma boa aproximação preocupante) (320/615=) pouco mais de 50 % do potencial de sobrevivência da outra, que lhe é em quantidade de falantes e em qualidade expressiva de vocábulos SUPERIOR, isto é, dominante.

                            E assim deve ter sido também com as línguas antigas, pré-sapiens, e dos sapiens as que vieram morrendo, sobrevivendo ainda mais de oito mil falares, muitos deles à beira da morte. Como descobrir os rastros ou restos dessas línguas que morreram, que foram mortas por falares maiores e melhores?

                            Vitória, sábado, 06 de dezembro de 2003.

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