Isolado
Na antiga democracia
grega, de que estavam excluídos tantos, o cidadão que desagradava à maioria
(dos que não eram mulheres nem escravos) era exilado, caía no ostracismo. A
Antiguidade vai desde a pré-história, que aconteceu antes da escrita surgida na
Suméria em 3,5 mil antes de Cristo, até 476, Queda de Roma. Até esta data as
pessoas eram exiladas das cidades-estado.
O que significa
isso?
A Rede Cognata (veja
Livro 2, Rede e Grade Signalíticas)
permite sondar: exilado = ISOLADO = MORTO = MERDA = MONSTRO, etc., e ostracismo
= ESTRANHO, quer dizer, a PESSOA (podem ser hoje indivíduos, famílias, grupos e
empresas) era considerada morta, estranha, fora da língua, fora do espaço
(nação), fora do tempo (país), morto e acabado mesmo.
Constituía uma dor
tremenda não ter mais nem língua nem espaçotempo, não ter direito a razão
humana reconhecida pelo povelite/nação ou cultura e não ter mais identidade
geo-histórica. Só agora podemos avaliar, aquilatar a dimensão da crueldade
antiga. Em nossos tempos também existe o exílio em relação aos AMBIENTES
(municípios/cidades, estados, nações e mundo), só que ampliado até as nações. É
como ser arrancado a pulso da barriga da mãe, extraído (= ISOLADO) de qualquer
convívio com as emoções espaciais ou geográficas de infância e as razões temporais
ou históricas da maturidade. É ser tirado de qualquer projeto próprio e ser
empurrado para os dos outros, os dos alienígenas. Não admira nada que doa
tanto, segundo os relatos, e seja o maior medo de todos e cada um. Não é àtoa
que Tom Jobim dizia: “viver nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; viver no
Brasil é uma merda, mas é bom”. Como já vimos, merda = ISOLADO. É como viver
dentro da casa dos outros: sempre vamos nos sentir um estorvo = ISOLADO.
Vitória, terça-feira,
02 de dezembro de 2003.
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