quarta-feira, 12 de abril de 2017


Isolado

 

                            Na antiga democracia grega, de que estavam excluídos tantos, o cidadão que desagradava à maioria (dos que não eram mulheres nem escravos) era exilado, caía no ostracismo. A Antiguidade vai desde a pré-história, que aconteceu antes da escrita surgida na Suméria em 3,5 mil antes de Cristo, até 476, Queda de Roma. Até esta data as pessoas eram exiladas das cidades-estado.

                            O que significa isso?

                            A Rede Cognata (veja Livro 2, Rede e Grade Signalíticas) permite sondar: exilado = ISOLADO = MORTO = MERDA = MONSTRO, etc., e ostracismo = ESTRANHO, quer dizer, a PESSOA (podem ser hoje indivíduos, famílias, grupos e empresas) era considerada morta, estranha, fora da língua, fora do espaço (nação), fora do tempo (país), morto e acabado mesmo.

                            Constituía uma dor tremenda não ter mais nem língua nem espaçotempo, não ter direito a razão humana reconhecida pelo povelite/nação ou cultura e não ter mais identidade geo-histórica. Só agora podemos avaliar, aquilatar a dimensão da crueldade antiga. Em nossos tempos também existe o exílio em relação aos AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo), só que ampliado até as nações. É como ser arrancado a pulso da barriga da mãe, extraído (= ISOLADO) de qualquer convívio com as emoções espaciais ou geográficas de infância e as razões temporais ou históricas da maturidade. É ser tirado de qualquer projeto próprio e ser empurrado para os dos outros, os dos alienígenas. Não admira nada que doa tanto, segundo os relatos, e seja o maior medo de todos e cada um. Não é àtoa que Tom Jobim dizia: “viver nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é bom”. Como já vimos, merda = ISOLADO. É como viver dentro da casa dos outros: sempre vamos nos sentir um estorvo = ISOLADO.

                            Vitória, terça-feira, 02 de dezembro de 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário