terça-feira, 11 de abril de 2017


ELI e o Pluriverso

 

                            ELI, Ele/Ela, Natureza/Deus, Grande Mãe e Grande Pai, Espírito Santo e Deus, também é prisioneiro (a) de sua própria Criação geral, seja pelo lado do acaso da construção seja pelo lado da necessidade, mas os pares polares opostos/complementares nos dizem que existe metade de NÃO-HÁ, mais do que não-existência (virtualidade) ao lado da existência (realidade). Metade de tudo, ao lado do Pluriverso, é o que não-há nem pode haver e ali nem ELI nem coisa alguma manda nem faz.

                            Evidentemente que somos prisioneiros e foi esse enfrentamento que Buda fez com o Grande Arquiteto. Mas o G.A. também é prisioneiro, embora não de alguém, e sim de si mesmo, pois ele deve criar-e-criar para não ficar sozinho em estreita solidão. Assim, cria mundos e fundos apenas pelo prazer de convivência racional, embora num nível esgotantemente menor e insatisfatório, pois muitos racionais conduzem-se pelo livre-arbítrio doado a becos sem saída lógico-dialéticos, não conseguindo subir até o fim a pontescada tecnocientífica. Como disse Kaspar Hauser, os racionais sobem as montanhas, os mundos, para descobrir no topo outras infinitas montanhas ou mundos ou universos. Mas ELI também deve construir infinitos universos, em incessante atividade. Porém há algo que não é caos nem ordem, que não-é, e esse não-ser, não-ter, não-estar, incomoda ELI, que cria incessantemente, infinitamente, infinitos mundos de várias ordens de potência e taxas de montagem.

                            Se os racionais estão aprisionados, todos estão, até ELI, ainda que a si mesmo, ao seu existir, ao seu haver, ao passo que o que não está preso é o não-há, o não-haver, o não-estar, que naturalmente não tem consciência disso.

                            Vitória, terça-feira, 02 de dezembro de 2003.

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