Diário de Receitas
Minha mãe juntou uma
vida inteira receitas daqui e dali em pedaços de papel que colocava em qualquer
lugar, fora o que inventou ou mudou do que havia antes; em certo instante tive
o impulso de ajudá-la a escrever e pudemos colocar numa pasta dita corrida uma
quantidade de folhas transcritas com máquina de escrever. Muito depois, a
seguir da morte dela, quis ficar com essa pasta e ele tinha juntado mais um
punhado de receitas que vinham em latas, em jornais, em revistas, uma lista relativamente
grande.
E assim é com grande
parte das mulheres e alguns homens. As mulheres se encontram e vão falando umas
às outras isto e aquilo que deu certo, além de haver agora na mídia (TV,
Revista, Jornal, Livro, Rádio e Internet) cessão de milhares e milhares de
receitas – constitui-se hoje uma enxurrada. Porém, aquele jeito de anotar nos
encontros de formigas (= AMIGAS, na Rede Cognata, veja Livro 2, Rede e Grade Signalíticas) continua em
vigor.
Pois poderíamos
entrar nisso, criando um Diário de Receitas
prancheta com pastas, de ficar diante do telefone ou do TV, de modo que
qualquer um pudesse anotar ou tirar de jornais ou revistas e colocar em sacolas,
de maneira a organizar. Ou ter um programáquina cativo DR 1.0 (renovável de três em três anos, à Microsoft) que pudesse escanear
e ir automaticamente colocando em pastas e subpastas classificatórias, por
assunto geral (que é preciso separar ainda no modelo, não fiz isso), podendo
também apartar por produtos utilizáveis (visando o que se tem em casa – “com
isso e aquilo consigo fazer o quê? ”). O povo do lar precisa disso e não há
quem proporcione. Eu via as dificuldades de minha mãe e me condoía dela. Veja
só como ficamos abandonados, todos e cada um, porque não há quem pense no outro
interessadamente.
Vitória,
sexta-feira, 19 de dezembro de 2003.
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