segunda-feira, 17 de abril de 2017


Diário de Receitas

 

                            Minha mãe juntou uma vida inteira receitas daqui e dali em pedaços de papel que colocava em qualquer lugar, fora o que inventou ou mudou do que havia antes; em certo instante tive o impulso de ajudá-la a escrever e pudemos colocar numa pasta dita corrida uma quantidade de folhas transcritas com máquina de escrever. Muito depois, a seguir da morte dela, quis ficar com essa pasta e ele tinha juntado mais um punhado de receitas que vinham em latas, em jornais, em revistas, uma lista relativamente grande.

                            E assim é com grande parte das mulheres e alguns homens. As mulheres se encontram e vão falando umas às outras isto e aquilo que deu certo, além de haver agora na mídia (TV, Revista, Jornal, Livro, Rádio e Internet) cessão de milhares e milhares de receitas – constitui-se hoje uma enxurrada. Porém, aquele jeito de anotar nos encontros de formigas (= AMIGAS, na Rede Cognata, veja Livro 2, Rede e Grade Signalíticas) continua em vigor.

                            Pois poderíamos entrar nisso, criando um Diário de Receitas prancheta com pastas, de ficar diante do telefone ou do TV, de modo que qualquer um pudesse anotar ou tirar de jornais ou revistas e colocar em sacolas, de maneira a organizar. Ou ter um programáquina cativo DR 1.0 (renovável de três em três anos, à Microsoft) que pudesse escanear e ir automaticamente colocando em pastas e subpastas classificatórias, por assunto geral (que é preciso separar ainda no modelo, não fiz isso), podendo também apartar por produtos utilizáveis (visando o que se tem em casa – “com isso e aquilo consigo fazer o quê? ”). O povo do lar precisa disso e não há quem proporcione. Eu via as dificuldades de minha mãe e me condoía dela. Veja só como ficamos abandonados, todos e cada um, porque não há quem pense no outro interessadamente.
                            Vitória, sexta-feira, 19 de dezembro de 2003.

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