Colt
Samuel Colt
(americano, 1814 a 1862, apenas 48 anos entre datas) inventou o revólver em
1836, com somente 22 anos. Em 1845 começou a fabricação em série numa fábrica
de armas em Hartford do que ficou depois conhecido com o nome substitutivo de
“colt”, significando pistola de tambor, substantivando o nome do criador.
Bem, o revólver é
uma arma terrível, que mata a distância, que dá a qualquer um poder de tirar
vidas, o que deveria ser só da sabedoria infinita de Deus, digamos assim. Você
pode mirar e atirar um projétil, um metal de impacto a alta velocidade, sem se
aproximar, sem conhecer a história do sujeito. É horrível, mesmo.
Contudo, as armas já
existiam, só que tinham no máximo duas balas, em geral uma, sendo necessário
recarregar, e eram caras, só podendo ser possuídas pelas elites. Desde então o
povo passou a ter acesso a elas. Então, julgo que 1836 foi um divisor de águas,
onde o povo adquiriu certa autonomia. Não que Samuel Colt pensasse assim, fez
para vender. E as armas custavam caro, mesmo o colt popularizado. As armas de
antes eram rebuscadas, rococós, cheias de filigranas, dos nobres e burgueses –
não eram, definitivamente, para os povos. Ficavam em poder exclusivo das
elites. Com o colt, justamente com ele, o povo pôde ameaçar as elites e a coisa
“virou”, mudou de rumo. O colt trouxe a novidade de tornar as elites
vulneráveis EM QUALQUER LUGAR e em qualquer tempo para frente, em todo o
futuro. Antes uma arma custaria o equivalente, digamos assim, a uns seis mil
reais ou dois mil dólares, ao passo que agora se pode comprar por 150 reais. É
horrível, porque todo adolescente pode ter acesso – penso que as armas devem
ser proibidas, exceto em casos especiais. Entrementes, tal condição nova criou
relação também nova entre o povo e as elites, dado que estas já não estavam
fora de alcance.
Veja só o que uma
pequena invenção pode fazer ao mudar um mundo inteiro, só por suprimir a
distância entre o alto e o baixo. Colt não tinha intenção nenhuma de ser
revolucionário, mas foi.
Vitória, quinta-feira,
18 de dezembro de 2003.
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