Circunscrevendo as
Tensões
Já vimos no Atlas de Tensões (Livro 53) e em Tensões no Atlas (Livro 54) que
caminhos seguir para construir essa seção do AT, Atlas de Toque. q.v. os vários
artigos sobre ele.
Pelo lado dos
fundos, como diria Clarice Lispector "pelo quarto da empregada",
podemos saber nas seções de trás dos jornais as notícias escabrosas que as
burguesias produzem com seu desleixo, em termos de mortes ocasionadas por
batidas de carros (que vem do relaxamento das leis nas rodovias federais, estaduais,
municipais/urbanas), de assassinatos (que nos EUA passam de 11 mil por ano em
virtudes de armas de fogo; mas no Brasil serão mais; no Espírito Santo pode até
ultrapassar os Estados Unidos, por num final de semana, três dias, chegou a 26
– existem 52 grupos desse por ano, daí pelo menos 1/10 de todo os EUA, só que
nossa população é de 1/90 da daquele país), de casos de morte por doenças
curáveis. E podemos mapear as guerras (segundo os soviéticos 14 mil delas na
geo-história humana), os conflitos por posse de terra, os choques em geral,
todo tipo de calamidade de fundo puramente humano.
Evidentemente as
Forças Armadas (forças organizadas, poderes) do Estado, as polícias, as
milícias pessoais, querem circunscrever a face mais distinta das tensões, os
conflitos notáveis, aqueles que aparecem ou tendem a aparecer na mídia. Querem
circunscrevê-las, inscrevê-las num círculo, pô-las dentro de uma
circunferência, de um fechamento qualquer, segundo um gênero de observação ou
vigilância. Só que justamente não têm os mapas, os Atlas de tensões, os
enquadramentos, nem quantitativos (geográficos, mero apontamento), nem
qualitativos (históricos, explicativos da geração de fundo). Para dizer tudo,
eles não têm nada. Dão sorte porque realmente não estão em perigo e quando o
perigo aparece a explosão dele sob a forma de choque não é computada como
ineficiência dos corpos de plantão, dos quadros que deveriam ser eficientes,
digamos as FA, Forças Armadas, por exemplo, as brasileiras. Quando explode uma
guerra ninguém diz que foi culpa do Exército. Mas foi, dele também, como dos
políticos, porque não souberam administrar de modo que os conflitos não
estourassem.
Como diz o ditado,
eles estão mais por fora que umbigo de vedete. E umbigo, na mulher, é sinal
sexual. No caso denota a incapacidade até agora intrínseca das FA em computar o
perigo e dissolvê-lo antes de sua eclosão maligna.
Vitória,
quarta-feira, 10 de dezembro de 2003.
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