sábado, 15 de abril de 2017


Circunscrevendo as Tensões

 

                            Já vimos no Atlas de Tensões (Livro 53) e em Tensões no Atlas (Livro 54) que caminhos seguir para construir essa seção do AT, Atlas de Toque. q.v. os vários artigos sobre ele.

                            Pelo lado dos fundos, como diria Clarice Lispector "pelo quarto da empregada", podemos saber nas seções de trás dos jornais as notícias escabrosas que as burguesias produzem com seu desleixo, em termos de mortes ocasionadas por batidas de carros (que vem do relaxamento das leis nas rodovias federais, estaduais, municipais/urbanas), de assassinatos (que nos EUA passam de 11 mil por ano em virtudes de armas de fogo; mas no Brasil serão mais; no Espírito Santo pode até ultrapassar os Estados Unidos, por num final de semana, três dias, chegou a 26 – existem 52 grupos desse por ano, daí pelo menos 1/10 de todo os EUA, só que nossa população é de 1/90 da daquele país), de casos de morte por doenças curáveis. E podemos mapear as guerras (segundo os soviéticos 14 mil delas na geo-história humana), os conflitos por posse de terra, os choques em geral, todo tipo de calamidade de fundo puramente humano.

                            Evidentemente as Forças Armadas (forças organizadas, poderes) do Estado, as polícias, as milícias pessoais, querem circunscrever a face mais distinta das tensões, os conflitos notáveis, aqueles que aparecem ou tendem a aparecer na mídia. Querem circunscrevê-las, inscrevê-las num círculo, pô-las dentro de uma circunferência, de um fechamento qualquer, segundo um gênero de observação ou vigilância. Só que justamente não têm os mapas, os Atlas de tensões, os enquadramentos, nem quantitativos (geográficos, mero apontamento), nem qualitativos (históricos, explicativos da geração de fundo). Para dizer tudo, eles não têm nada. Dão sorte porque realmente não estão em perigo e quando o perigo aparece a explosão dele sob a forma de choque não é computada como ineficiência dos corpos de plantão, dos quadros que deveriam ser eficientes, digamos as FA, Forças Armadas, por exemplo, as brasileiras. Quando explode uma guerra ninguém diz que foi culpa do Exército. Mas foi, dele também, como dos políticos, porque não souberam administrar de modo que os conflitos não estourassem.

                            Como diz o ditado, eles estão mais por fora que umbigo de vedete. E umbigo, na mulher, é sinal sexual. No caso denota a incapacidade até agora intrínseca das FA em computar o perigo e dissolvê-lo antes de sua eclosão maligna.

                            Vitória, quarta-feira, 10 de dezembro de 2003.

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