A Rapina Sapiens
A EVA MITOCONDRIAL e
o ADÃO Y surgiram em espaços e tempos próximos na África há 200 mil anos, dizem
os cientistas; depois, conforme as avaliações, nossa atual forma sapiens veio
há 100, 50 ou 35 mil anos e teve um sucesso estrondoso - cujos fatores ou
potencializadores tenho buscado (encontrei vários e é tudo muito interessante).
Antes de nós
existiram muitos grupos de hominídeos, deles sobrando apenas o grupo sapiens
que nos gerou, todos os demais tendo sido forçados ao desaparecimento.
Matando-os diretamente ou matando os seus ambientes de sustentação os sapiens
os extinguiram implacavelmente, tomando tudo que era seu, de cavernas a
objetos, aproveitando tudo, inclusive línguas e modos de fazer, depois
aprimorados.
Como o globo
terrestre tem circunferência de pouco mais de 40 mil km, há 20 mil para cada
lado; na base de 40 mil anos os sapiens ocuparam meio quilômetro a cada ano, o
que é um ritmo altíssimo, exigindo mudança constante. Hoje estamos em toda
parte, do Ártico à Antártica em latitude (90 a 90) e em todas as longitudes,
360 graus, inclusive sobre o mar, no alto de montanhas, no fundo dos oceanos,
em todo lugar mesmo, até no espaço. Como um vírus, por assim dizer como uma
praga fomos nos espalhando pela pele da Mãe Terra. Destroçamos todas as
espécies que se antepuseram, enquanto o fizeram, e também àquelas que se
puseram contra nossos animais-de-extração, ditos animais domésticos, tanto os
de carne, pele, leite e outros produtos quando os de serviços, cachorros e gatos.
Particularmente
acabamos com os pré-hominídeos e quaisquer espécies com racionalidades
precedentes. O que negros africanos, amarelos asiáticos, brancos europeus e
vermelhos americanos têm de mais comum é essa característica sapiens
arrasadora. Esse traço, que é bem desagradável, não foi ainda mostrado pelo
cinema, porque ninguém gosta de falar de seus defeitos e impropriedades.
Tomamos dos antecedentes todo o conhecimento anterior e tudo que veio antes,
inclusive o ADRN ainda ativo e o que foi desativado. Como essas características
antigas são distintas das dominantes hoje talvez possam ser rastreadas naquilo
que destoam. Os cientistas nos mostram sempre bonzinhos, como se fôssemos
apenas chegando com nossa racionalidade superior e os outros submissamente se
afastassem para morrer sossegadamente, mas a geo-história deve ter sido bem
outra.
Vitória, domingo, 14
de dezembro de 2003.
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