sábado, 15 de abril de 2017


A Rapina Sapiens

 

                            A EVA MITOCONDRIAL e o ADÃO Y surgiram em espaços e tempos próximos na África há 200 mil anos, dizem os cientistas; depois, conforme as avaliações, nossa atual forma sapiens veio há 100, 50 ou 35 mil anos e teve um sucesso estrondoso - cujos fatores ou potencializadores tenho buscado (encontrei vários e é tudo muito interessante).

                            Antes de nós existiram muitos grupos de hominídeos, deles sobrando apenas o grupo sapiens que nos gerou, todos os demais tendo sido forçados ao desaparecimento. Matando-os diretamente ou matando os seus ambientes de sustentação os sapiens os extinguiram implacavelmente, tomando tudo que era seu, de cavernas a objetos, aproveitando tudo, inclusive línguas e modos de fazer, depois aprimorados.

                            Como o globo terrestre tem circunferência de pouco mais de 40 mil km, há 20 mil para cada lado; na base de 40 mil anos os sapiens ocuparam meio quilômetro a cada ano, o que é um ritmo altíssimo, exigindo mudança constante. Hoje estamos em toda parte, do Ártico à Antártica em latitude (90 a 90) e em todas as longitudes, 360 graus, inclusive sobre o mar, no alto de montanhas, no fundo dos oceanos, em todo lugar mesmo, até no espaço. Como um vírus, por assim dizer como uma praga fomos nos espalhando pela pele da Mãe Terra. Destroçamos todas as espécies que se antepuseram, enquanto o fizeram, e também àquelas que se puseram contra nossos animais-de-extração, ditos animais domésticos, tanto os de carne, pele, leite e outros produtos quando os de serviços, cachorros e gatos.

                            Particularmente acabamos com os pré-hominídeos e quaisquer espécies com racionalidades precedentes. O que negros africanos, amarelos asiáticos, brancos europeus e vermelhos americanos têm de mais comum é essa característica sapiens arrasadora. Esse traço, que é bem desagradável, não foi ainda mostrado pelo cinema, porque ninguém gosta de falar de seus defeitos e impropriedades. Tomamos dos antecedentes todo o conhecimento anterior e tudo que veio antes, inclusive o ADRN ainda ativo e o que foi desativado. Como essas características antigas são distintas das dominantes hoje talvez possam ser rastreadas naquilo que destoam. Os cientistas nos mostram sempre bonzinhos, como se fôssemos apenas chegando com nossa racionalidade superior e os outros submissamente se afastassem para morrer sossegadamente, mas a geo-história deve ter sido bem outra.

                            Vitória, domingo, 14 de dezembro de 2003.

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