A Grandeza dos
Iluminados
Já vimos o trabalho dos
iluminados: sustentar a pirâmide invertida. Vimos também, no artigo O Mais Baixo Povo deste livro 54, que o
último dos populares pode estar no subnível (77 =) 823.543. Assim,
cada um dos iluminados (são poucos para os 100 bilhões de humanos que se supõe
terem vivido ou estarem vivendo, estes 6,3 bilhões vivos hoje, conforme
estimado – alguns estão ocultos, os outros sendo: Jesus, Buda, Moisés, Abraão,
Lao Tsé, Confúcio, Gandhi, Vardamana, Maomé, Kaspar Hauser, Clarice Lispector e
outros, que não consigo pensar, talvez chegando a treze) deveria equilibrar 7
santos/sábios ou qualquer coisa desse estilo. Isso demorará a determinar, se é
que poderão ser achadas as equações que darão a proporcionalidade.
Em todo caso, você há de
perceber que os iluminados em seu tempo de vida NÃO CONVIVEM diretamente com os
santos/sábios, necessariamente, muitos são os de outros níveis e ENORMEMENTE
ABORRECIDOS, quero dizer. Imagine que a CL, Clarice Lispector (ucraniana-brasileira,
1925 a 1977) ia ao mercado, ao cinema, a repartições públicas, a todo tipo de
lugar e tinha de conviver com todo tipo de gente, de todos os patamares (povo,
lideranças, profissionais, pesquisadores, estadistas, santos/sábios – não
entrou em contato com nenhum iluminado, Gandhi - indiano, 1869 a 1948 - havia
morrido longe, embora em tempo de vida dela). E assim foi com todos e cada um,
exceto, segundo as lendas, com Confúcio e Lao Tsé, que podem ter se encontrado.
Sendo desse jeito, os iluminados nunca ou quase nunca convivem uns com os
outros e raramente o fazem com os santos/sábios, exatamente porque esses níveis
são muito raros. Em resumo, não têm companhia à sua altura.
Veja você quanto
equilíbrio eles devem ter para continuar falando com o mundo, que é simples, é
simplório perante as novidades que estão trazendo e que demoram até milênios
para serem compreendidas, como as de Cristo.
Então, a grandeza dos
iluminados é um grande peso a carregar, o da solidão extremada, do completo
isolamento, da extinção ainda em vida, como aconteceu com Buda. Quanto mais
penso nisso mais me espanto dessa grandeza e da grande capacidade de perdão que
comportavam eles (e ela). Não são criaturas tão deliciosas?
Vitória, segunda-feira,
08 de dezembro de 2003.
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