sexta-feira, 14 de abril de 2017


A Grandeza dos Iluminados

 

                        Já vimos o trabalho dos iluminados: sustentar a pirâmide invertida. Vimos também, no artigo O Mais Baixo Povo deste livro 54, que o último dos populares pode estar no subnível (77 =) 823.543. Assim, cada um dos iluminados (são poucos para os 100 bilhões de humanos que se supõe terem vivido ou estarem vivendo, estes 6,3 bilhões vivos hoje, conforme estimado – alguns estão ocultos, os outros sendo: Jesus, Buda, Moisés, Abraão, Lao Tsé, Confúcio, Gandhi, Vardamana, Maomé, Kaspar Hauser, Clarice Lispector e outros, que não consigo pensar, talvez chegando a treze) deveria equilibrar 7 santos/sábios ou qualquer coisa desse estilo. Isso demorará a determinar, se é que poderão ser achadas as equações que darão a proporcionalidade.

                        Em todo caso, você há de perceber que os iluminados em seu tempo de vida NÃO CONVIVEM diretamente com os santos/sábios, necessariamente, muitos são os de outros níveis e ENORMEMENTE ABORRECIDOS, quero dizer. Imagine que a CL, Clarice Lispector (ucraniana-brasileira, 1925 a 1977) ia ao mercado, ao cinema, a repartições públicas, a todo tipo de lugar e tinha de conviver com todo tipo de gente, de todos os patamares (povo, lideranças, profissionais, pesquisadores, estadistas, santos/sábios – não entrou em contato com nenhum iluminado, Gandhi - indiano, 1869 a 1948 - havia morrido longe, embora em tempo de vida dela). E assim foi com todos e cada um, exceto, segundo as lendas, com Confúcio e Lao Tsé, que podem ter se encontrado. Sendo desse jeito, os iluminados nunca ou quase nunca convivem uns com os outros e raramente o fazem com os santos/sábios, exatamente porque esses níveis são muito raros. Em resumo, não têm companhia à sua altura.

                        Veja você quanto equilíbrio eles devem ter para continuar falando com o mundo, que é simples, é simplório perante as novidades que estão trazendo e que demoram até milênios para serem compreendidas, como as de Cristo.

                        Então, a grandeza dos iluminados é um grande peso a carregar, o da solidão extremada, do completo isolamento, da extinção ainda em vida, como aconteceu com Buda. Quanto mais penso nisso mais me espanto dessa grandeza e da grande capacidade de perdão que comportavam eles (e ela). Não são criaturas tão deliciosas?

                        Vitória, segunda-feira, 08 de dezembro de 2003.

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