Tribuna Jovem
Fico intrigado, para
além de insatisfeito, ao pensar que os governempresas não prepararam válvulas
de escape das tensões jovens, como seja o falar e esbravejar contra as
injustiças em bom ambiente, no qual haja ampla liberdade de emitir opiniões sem
ser porisso perseguido.
Isso requer, como
para as mulheres, uma Tribuna verdadeira, um parlatório, lugar de onde se fala,
com mídia associada (TV, Rádio, Revista, Jornal, Livro e Internet), sala de
conferências, sala de imprensa, sala de reprografia, biblioteca, museu,
restaurante, até cinema e praça de alimentação, local de gravações, publicação
de textos, tudo mesmo, de modo que os jovens possam falar e xingar, expor
cruamente suas vontades e discordâncias. Indo ali os governempresas poderiam
pensar como reconduzir a produçãorganização ou socioeconomia de modo a
realmente atender todas e cada uma das PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e
empresas).
Os jovens vão,
naturalmente, ocupar todos os postos do mundo, mais cedo ou mais tarde, e é extremamente
apropriado os governempresas estarem desde sempre sondando suas opiniões e
vontades, colocando-se a favor ou contra elas, mas sempre as ouvindo. É preciso
selecionar e publicar, o que exige a constituição de um grupo-tarefa que tenha
respeito implícito pelas idéias dos outros, especialmente as dos jovens e
adolescentes.
Com inscrição,
claro, de modo a haver ordem. Mas tal ordem não pode significar tolher o
pronunciamento alheio, sob qualquer argumento purista político, sexual, racial
ou o que for, porque justamente precisamos saber o que vai profundamente nas
almas jovens, que não passaram ainda por censura alheia ou autocensura. Não que
os palavrões venham a ser publicados, há que preservar a família – mas eles
devem ser ditos, colocando-se asteriscos no lugar na hora da publicação. A
presença deles, aliás, denotará a necessidade coletiva e individual de
manifestar oposição. Tudo é útil.
Que essa TJ não
tenha sido ainda criada diz bem como estamos atrasados e como os G/E idiotas se
deixaram ficar adormecidos. E como, também, são primitivos na abordagem da
política.
Vitória,
quarta-feira, 10 de dezembro de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário