Leite e Derivados
Claro que a pergunta
pertinente de por quê as pessoas comprariam ali em vez de em padarias seria
respondida que em virtude da altíssima especialização, do largo espectro das
ofertas, d’uma festa real do leite, deles todos e de cada um, puros apenas fervidos,
pasteurizados A, B, C, D, E (para as respectivas classes), com vitaminas, com
proteínas, com micronutrientes, com vacinas – e seus derivados: queijos,
iogurtes, uma infinidade de produtos. Todos os gados, de soja, compostos,
misturadas as espécies, etc.
Em todo tipo de
embalagem, mais caro e mais barato, em atacado e a varejo, para casas e
indústrias, com fábrica acoplada, com mídia própria, franqueável em todo o
mundo, com logotipo atraente, cores bonitas das lojas, em embalagens distintas,
renovação do leite depois de muitos milênios – gente estudando-o o tempo todo,
testando em laboratórios, imaginando novas aplicações. Essa empresa, por si só,
dada a relevância do Leite geral, pode ficar multibilionária. Pode criar um
programa, Leite 1.0, à Microsoft
renovando de três em três anos. Embalagens pouco ou muito volumosas, compridas
e curtas, gordas e magras para leite magro, médio e gordo, para cada ocasião
(manhã, meio-dia e noite), cada idade, cada região (fria e quente), doce ou não,
com remédios incorporados, já em vitaminas de sacolinhas, em pó e líquido, condensado
ou não. Em tetrapak, em latas, em sacolas, em vidro. De toda parte do mundo. Em
latinhas como as de cerveja. De entregar em casa como água em garrafões de 20
litros. De levar em sacolinhas para o serviço burocrático ou de campo. Para
soldados em campanha, com reforço. Como poderoso alimento geral onipresente,
discussão permanente. Com cafés e chás, de todo modo mesmo.
Enfim, renovação do
leite após milhares de anos de aproveitamento. Muito ainda pode ser feito, pelo
que fiquei pensando.
Vitória,
segunda-feira, 15 de dezembro de 2003.
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