Grande Futuro
O telescópio
espacial Hubble foi projetado nos anos 1940 e construído nos 1970 e 1980 ao
custo de três bilhões de dólares, sendo enviado ao espaço em 1990, apresentando
defeito e sendo consertado em 1993. O senado americano ficou furioso e exigiu
explicações. Estudando o caso os tecnocientistas da NASA recorreram a dados de
1985 e viram que uma pequeníssima mancha de tinta tinha comprometido os
espelhos primários e com isso todo o projeto estava correndo risco de perda
total. Uma distraçãozinha e essa macha minúscula quase põe tudo a perder.
Bom, os americanos
poderiam ter dobrado a cabeça, chegado à conclusão de que estava mesmo perdido
e ter deixado para lá. Em vez disso reuniram centenas de tecnocientistas e das
muitas propostas uma genial venceu: criam um outro defeito, contrário ou
inverso do primeiro, pelo qual a luz incidente era desviada no sentido
contrário, recompondo a fidelidade.
Como sabemos o
futuro é de quem resolve problemas – SEMPRE. São primeiros-problemas para o primeiro
mundo e quintos-problemas, problemas que já foram resolvidos em quatro degraus
antes para o quinto mundo. Assim sendo, o primeiro mundo chega ao
primeiro-futuro, ou seja, chega ao futuro primeiro, os outros depois,
copiando-o então em tudo ou em quase tudo. O grande futuro é dos que resolvem
grandes problemas, problemas difíceis.
Os EUA podiam ter
dobrado a cerviz, mas foram adiante e montaram o primeiro “estaleiro espacial”
de consertos de naves (o Hubble é uma delas, creia), com o que ganharam experiência
prateórica nova e noivo futuro, deixando os outros para trás novamente. Os
mundos de trás, inclusive o Brasil, só ganham velhos futuros, futuros de
segunda a quinta mão, futuros usados.
Aliás, podemos saber
perfeitamente quando uma nação de primeiro mundo será substituída: será quando
ela se recusar a resolver NOVOS problemas e se mantiver resolvendo os antigos,
versões melhoradas das coisas velhas. E esse é um critério universal para a
geo-história, para percebermos quando uma nação começou a ficar para trás em
relação às demais: basta olhar que tipos de problemas ela está resolvendo. Do
outro lado, nações de segundo a quinto mundo estão migrando para frente se
resolvem os problemas da frente, como o Japão fez antes e a Coréia e a China
estão fazendo agora. Um bom índice para saber se a nação decidiu resolver os
problemas da frente é ver se ela está investindo em educação de todos os
níveis.
Vitória,
quinta-feira, 18 de dezembro de 2003.
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