segunda-feira, 17 de abril de 2017


Grande Futuro

 
                            O telescópio espacial Hubble foi projetado nos anos 1940 e construído nos 1970 e 1980 ao custo de três bilhões de dólares, sendo enviado ao espaço em 1990, apresentando defeito e sendo consertado em 1993. O senado americano ficou furioso e exigiu explicações. Estudando o caso os tecnocientistas da NASA recorreram a dados de 1985 e viram que uma pequeníssima mancha de tinta tinha comprometido os espelhos primários e com isso todo o projeto estava correndo risco de perda total. Uma distraçãozinha e essa macha minúscula quase põe tudo a perder.

                            Bom, os americanos poderiam ter dobrado a cabeça, chegado à conclusão de que estava mesmo perdido e ter deixado para lá. Em vez disso reuniram centenas de tecnocientistas e das muitas propostas uma genial venceu: criam um outro defeito, contrário ou inverso do primeiro, pelo qual a luz incidente era desviada no sentido contrário, recompondo a fidelidade.

                            Como sabemos o futuro é de quem resolve problemas – SEMPRE. São primeiros-problemas para o primeiro mundo e quintos-problemas, problemas que já foram resolvidos em quatro degraus antes para o quinto mundo. Assim sendo, o primeiro mundo chega ao primeiro-futuro, ou seja, chega ao futuro primeiro, os outros depois, copiando-o então em tudo ou em quase tudo. O grande futuro é dos que resolvem grandes problemas, problemas difíceis.

                            Os EUA podiam ter dobrado a cerviz, mas foram adiante e montaram o primeiro “estaleiro espacial” de consertos de naves (o Hubble é uma delas, creia), com o que ganharam experiência prateórica nova e noivo futuro, deixando os outros para trás novamente. Os mundos de trás, inclusive o Brasil, só ganham velhos futuros, futuros de segunda a quinta mão, futuros usados.

                            Aliás, podemos saber perfeitamente quando uma nação de primeiro mundo será substituída: será quando ela se recusar a resolver NOVOS problemas e se mantiver resolvendo os antigos, versões melhoradas das coisas velhas. E esse é um critério universal para a geo-história, para percebermos quando uma nação começou a ficar para trás em relação às demais: basta olhar que tipos de problemas ela está resolvendo. Do outro lado, nações de segundo a quinto mundo estão migrando para frente se resolvem os problemas da frente, como o Japão fez antes e a Coréia e a China estão fazendo agora. Um bom índice para saber se a nação decidiu resolver os problemas da frente é ver se ela está investindo em educação de todos os níveis.
                            Vitória, quinta-feira, 18 de dezembro de 2003.

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