Governo Enfraquecido
Ouvi mais uma
palestra em que um idiota qualquer amiguinho das elites disse que os governos
abocanham cada vez mais em tributos, passando de (não anotei mais que
mentalmente os dados – será tarefa sua buscar os dados “corretos” na divulgação
mentirosa) de 15 % em 1985 a 35 % ou mais agora.
A questão real é que
os militares vigiavam mais e a sonegação era notavelmente menor, chegando desde
1987 a 60 % e aumentando cada vez mais. Na realidade, como já mostrei, o PIB
brasileiro real (visível + invisível) deve estar chegando aos 2,7 trilhões de
dólares. Digamos que a sonegação fosse de 30 % com os militares duros e tenha
passado a 60 % com os civis bonzinhos; assim os 15 % deviam ser reduzidos, chegando
naquela época a menos de 11 %, enquanto hoje os supostos 35 % seriam na
realidade 14 %. Se puder dizer que aumentou foi 3 %, com tremendo crescimento
quantitativo do PIB e mesmo os tributos passando recentemente de 57 a 61,
justamente para acobertar e dificultar a vigilância. Mas, lembre-se, a
sonegação foi além dos 60 %.
Por quê os governos
brasileiros decidiram espontaneamente enfraquecer perante as burguesias e
dotá-las de mais dos tributos que arrecadam ou tiram ao povo? Essa é a pergunta
que os futuros pesquisadores deverão responder. Num determinado momento os
governantes do Executivo, os políticos do Legislativo e os juizes do Judiciário
decidiram beneficiar AINDA MAIS as elites, isto é, a si mesmos, em desrespeito
do seu povo, tornando o Estado impotente para proceder a reformas, quando não a
temidas transformações.
Isso se deveu, eu
penso, à presença de Reagan nos Estados Unidos - decididamente perdoador e
estimulador das elites via doação tributária - e da Escola de Chicago que
chegou explicitamente ao Chile e disfarçadamente em toda parte. O fato foi que
os governos relaxaram em termos de vigilância dos desmandos das burguesias,
especialmente depois de 1991, quando a URSS caiu e eles ficaram livres para
todo gênero de bandalheira. O Estado não pode mais realizar os programas sociais
de socorrer o povo que paga o consórcio governamental. Ele só vive de pagar as
monstruosas (nos dois sentidos: horrorosas pelas motivações e grandes, imensas)
dívidas interna e externa, com juros que corroem tudo, pouco realizando de
investimentos multiplicadores, para além dos predadores externos e internos do
país e da nação.
Decidiram, fizeram e
o povo que se dane, na concepção deles.
Vitória,
segunda-feira, 15 de dezembro de 2003.
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