segunda-feira, 17 de abril de 2017


Governo Enfraquecido

 

                            Ouvi mais uma palestra em que um idiota qualquer amiguinho das elites disse que os governos abocanham cada vez mais em tributos, passando de (não anotei mais que mentalmente os dados – será tarefa sua buscar os dados “corretos” na divulgação mentirosa) de 15 % em 1985 a 35 % ou mais agora.

                            A questão real é que os militares vigiavam mais e a sonegação era notavelmente menor, chegando desde 1987 a 60 % e aumentando cada vez mais. Na realidade, como já mostrei, o PIB brasileiro real (visível + invisível) deve estar chegando aos 2,7 trilhões de dólares. Digamos que a sonegação fosse de 30 % com os militares duros e tenha passado a 60 % com os civis bonzinhos; assim os 15 % deviam ser reduzidos, chegando naquela época a menos de 11 %, enquanto hoje os supostos 35 % seriam na realidade 14 %. Se puder dizer que aumentou foi 3 %, com tremendo crescimento quantitativo do PIB e mesmo os tributos passando recentemente de 57 a 61, justamente para acobertar e dificultar a vigilância. Mas, lembre-se, a sonegação foi além dos 60 %.

                            Por quê os governos brasileiros decidiram espontaneamente enfraquecer perante as burguesias e dotá-las de mais dos tributos que arrecadam ou tiram ao povo? Essa é a pergunta que os futuros pesquisadores deverão responder. Num determinado momento os governantes do Executivo, os políticos do Legislativo e os juizes do Judiciário decidiram beneficiar AINDA MAIS as elites, isto é, a si mesmos, em desrespeito do seu povo, tornando o Estado impotente para proceder a reformas, quando não a temidas transformações.

                            Isso se deveu, eu penso, à presença de Reagan nos Estados Unidos - decididamente perdoador e estimulador das elites via doação tributária - e da Escola de Chicago que chegou explicitamente ao Chile e disfarçadamente em toda parte. O fato foi que os governos relaxaram em termos de vigilância dos desmandos das burguesias, especialmente depois de 1991, quando a URSS caiu e eles ficaram livres para todo gênero de bandalheira. O Estado não pode mais realizar os programas sociais de socorrer o povo que paga o consórcio governamental. Ele só vive de pagar as monstruosas (nos dois sentidos: horrorosas pelas motivações e grandes, imensas) dívidas interna e externa, com juros que corroem tudo, pouco realizando de investimentos multiplicadores, para além dos predadores externos e internos do país e da nação.

                            Decidiram, fizeram e o povo que se dane, na concepção deles.

                            Vitória, segunda-feira, 15 de dezembro de 2003.

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