Dois Tempos, Duas
Ecologias
Posto o Modelo da
Caverna dos homens caçadores e das mulheres coletoras se segue que foram
molecularmente definidas duas neuradequações aos ambientes, uma, referente ao
tempo circular, espaço das mulheres, e outro ao espaço linear, tempo dos
homens. Então, as mulheres são, resumidamente, do espaço, ao passo que os
homens são do tempo.
Pense que as
mulheres estão sempre em volta da caverna, indo e vindo por milhões de anos
pré-hominídeos e 100, 50 ou 35 mil anos sapiens (estes, residuais) de modelação
química de moléculas-de-resposta para aquele ambiente. Assim, foi criado um
tempo de ir aos e vir sempre dos mesmos lugares, em círculo, sempre rodando,
nunca mudando muito, tempo ortodoxo muito largo, de coleta, de repetição estação
após estação (extração após extração), ano após ano, década após década,
eternamente circular. O tempo dos homens é de CONQUISTA DOS ESPAÇOS: DE TOMAR E
ARRASAR, DE DESTRUIR E SUBJUGAR.
Esse TEMPO CIRCULAR
das mulheres coloca uma visão de mundo, uma percepção de mundo que é circular
também, uma ECOLOGIA CÍCLICA, por contraste com a masculina, que é ECOLOGIA
LINEAR, de depredação, de selvageria, de vandalismo, de arruinar, de deitar
abaixo, de expandir – o que também teve sua serventia, dado que nos levou a
toda parte do mundo, que é hoje completamente humano. Tivéssemos apenas um lado
da moeda, o circular, feminino, e ainda seríamos uma pequena tribo de
pós-macacos. Sábios, mas tolhidos. Os predadores teriam nos comido. Foi a feliz
combinação do circular das mulheres com o linear dos homens que proporcionou a
humanidade de hoje.
Acontece que nos
últimos dez mil anos de civilização, especialmente desde a invenção da escrita
lá por 3,5 mil antes de Cristo na Suméria, temos tido apenas a dominância da EL,
Ecologia Linear, afastada que foi a EC, Ecologia Cíclica ou circular, que deve
voltar para empatar com a outra, formando realmente uma moeda em paridade
50/50, porque não há mais para onde nos expandirmos na Terra. Então, a EL
masculina deve ser parcialmente bloqueada em seu ímpeto de destruição. Mas não
descartada, pois sempre existe o espaço exterior.
Vitória, sábado, 13
de dezembro de 2003.
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