segunda-feira, 17 de abril de 2017


As Idiotices dos Grandes

 

                            George Lucas, que é genial, e Stephen Spielberg, que é tão grande quanto, patrocinaram ou produziram Powaqqatsi, A Vida em Transformação, 2003, saudado como “visualmente espetacular”, mas que não passa de uma porcaria, com cena interminável de um trem passando. De notável só há o nome indígena, que significa um feiticeiro que consome a vida do ambiente. No caso mostra todo gênero de destruição pela qual está passando a Terra, porém numa desconexão imperdoável de tão tola.

                            Francis Ford Coppola, que começou a carreira junto de George Lucas e é no resto grande diretor ou cineasta fez Koyaanisqatsi, Uma Vida Fora de Equilíbrio, também 2003, que é outra imundícia que só consegui assistir saltando em velocidade 4x e 16x. O significado indígena é “vida louca”.

                            Como é que os grandes decaem assim?

                            Só pode ser por condescendência, quando há tantos aplausos em volta a ponto de as pessoas não pararem para pensar que GRANDE mesmo só Deus/Natureza, Ele/Ela, ELI = ABBA = ALÁ. Em especial Steve Spielberg está produzindo tantas coisas, emprestando seu nome a tantos filmes que se tornou escandaloso, como se bastasse ele fazer isso para tornar tudo grande, do mesmo modo como na lenda em que tudo que se tocava virava ouro.

                            Tenho curiosidade em saber quando é que os grandes caem nesse aplauso íntimo a suas obras, isto é, quando se desguarnecem do mínimo cuidado quanto à fama. Quando, em que altura de suas vidas se descuidam? Seria preciso perseguir em todos os países as vidas, em toda a geo-história dos tecnartistas, dos generais, dos presidentes, dos empresários, dos pesquisadores, todos esses – os santos/sábios e os iluminados nunca caem na armadilha. Se há uma coisa com a qual Deus se diverte é com essas tolices e tropeços dos grandes. Há muito riso embutido nessas baboseiras do autoengrandecimento. Precisamos de mais tolos como eles.

                            Vitória, sexta-feira, 19 de dezembro de 2003.

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