sexta-feira, 14 de abril de 2017


A Renovação Hippie

 

                        Como já disse, os 23 anos que vieram de 1945 a 1968, do fim da II Grande Guerra até maio de 1968 em Paris, foram os mais livres de toda a geo-história da humanidade, desde a invenção da escrita lá por 3,5 mil anos antes de Cristo.

                        Depois de 1945, o mundo tendo saído do sufoco dos dolorosos anos que vieram de 1939 a 1945, daqueles seis anos da guerra mais cruel até então, todos se viram livres e festejadores, tudo se tornando ao mesmo tempo azul e cor de rosa, os horizontes do futuro desimpedidos como nunca tinham estado antes, caindo-se naquela gostosa apatia que dificilmente se repetirá. Isso foi indo de felicidade em felicidade até haver uma saturação, resultante do excesso de notícias boas que emanavam ou saíam da nova permissividade das burguesias, especialmente a americana, sob pressão das conquistas cada vez maiores do chamado "bloco soviético" (China em 1949, Cuba em 1959), liberando-se então os trabalhadores de toda parte. O mundo inteiro foi caindo na rotina de uma era plastificada, a revolta vindo com os hippies que recusaram a felicidade postiça, falsa, como o primeiro anúncio de que por baixo da pátina estava a ferrugem do espírito humano, veneno introduzido por McCarthy na década dos 1950. Os Beatles apenas acentuaram o que já estava em curso e não era invenção deles, era dos precursores, Jack Kerouac (Jean-Louis, dito Jack, americano, 1922 a 1969) e outros beatnicks da beat generation ("geração pancada", traduzindo do Michaelis digital), de 1950 para frente.

                        Foram os anos mais felizes. Os hippies, vindo depois, trouxeram nos 30 anos seguintes a renovação da cultura ou nação ou povelite americano e europeu também, do mundo todo por via de conseqüência. Eles renovaram os interesses em toda parte.

                        Não só aqueles anos não foram analisados, como já mostrei, como também não esse extraordinário favor que os beatnicks e os hippies prestaram ao capitalismo. Um débito que não foi pago e sequer é sentido como tal. Recusando o passado morto que começava a feder os hippies reinventaram o mundo humano, sem dúvida alguma – lhe deram mais algum fôlego, mais um tempo de sustentação.

                        Vitória, terça-feira, 09 de dezembro de 2003.

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