sexta-feira, 30 de dezembro de 2016


Mais Liberdade e Mais Igualdade

 

                            Tendo concluído em Liberdade é o Oposto de Igualdade, Livro 8, que a pregação da liberdade das elites é em primeiro plano a pregação da desigualdade frente ao povo, e que a plena igualdade destes seria a falta total de liberdade daquelas, e o fim da civilização ou progresso, tornando-se o coletivo regressista, é agora tempolugar de visualizar o lado complementar do oposto no par polar.

                            A conclusão de oposição parece indicar que uma coisa diminui a outra, mas isso só ocorrerá SE ASSIM DESEJARMOS, e se obrarmos diligentemente para tal. Acontece que elites e povo podem conviver em harmonia ou equilíbrio-de-par oposto/complementar, TANTO FAVORECENDO A LIBERDADE DE UMAS QUANTO A IGUALDADE DO OUTRO. Essa é a conclusão de convergência, a saber, o amor de salvação, o contrário daquela outra, o amor de perdição. Guerrear é bom, mas amar é melhor ainda, porisso de novo os hippies, “faça amor, não faça guerra”. Guerra só em último caso, quando estejam zombando e nos chamando de frouxos. Então, nós vamos lá e batemos.

                            Por conseguinte, liberdade pode ser a mesma coisa que igualdade, e vice-versa, e uma até pode pressupor a outra. Pode até ser condição, pois a oposição nos faz gastar dinheiro com proteção, o que seria investido no crescimento mútuo. Não precisando aplicar tantos recursos em proteção, e a sociedade pode crescer num ritmo muito mais acelerado, como o Japão pós-guerra que, livre da competição da guerra fria, deu saltos à frente da URSS e dos EUA, empenhados em destruição mútua, e pôde assim favorecer e até superfavorecer a igualdade e a liberdade internas.

                            Vitória, quarta-feira, 02 de outubro de 2002.

Língua Amarrada

 

                            No livro História da Filosofia, vol. II, São Paulo, Paulinas, 1990, de Giovanni Reale e Dario Antiseri, páginas 848 e 849, os autores, falando de Alexandre Verri (filósofo italiano, 1741-1816, 75 anos entre datas), citam-no: “Os pensadores ingleses escrevem com muito cuidado com a ordem; os franceses com períodos vibrantes e breves. Os autores dessas duas respeitáveis nações cuidam de, na composição, seguir as pegadas dos seus pensamentos; permitem o vôo livre do intelecto; não temem os episódios importantes; não fazem uma lei para obrigar as idéias a escorrerem dentro de um leito, por assim dizer, mesmo sendo transbordantes; não sacrificam os conceitos aos vocábulos, o gênio ao método, a robustez do estilo à languidez da pureza. Nós, ao contrário, temos em nosso escrever um não sei que de amarrado, de circunscrito, de tímido, de confuso. Qual dos italianos propostos como modelos teria escrito com o estilo do Espírito das leis? ”

                            Isso não vale só para a Itália, vale para todos os países latinos, menos a França, como ele diz; vale para o Brasil, para o México, a Argentina, a Espanha, todos mesmo. Por que seria assim?

                            Vamos listar as qualidades dos nórdicos, por oposição aos defeitos dos mediterrâneos.

                            QUALIDADES DOS NÓRDICOS

1)      Seguir os passos dos seus pensamentos (passo a passo, com método, com cuidado, com atenção);

2)     Permitem o voo livre do intelecto;

3)     Não temem os episódios importantes;

4)     Não fazem leis que prendem o intelecto dentro de um leito;

5)     Não sacrificam os conceitos aos vocábulos;

6)     Não sacrificam o gênio ao método;

7)     Não sacrificam a robustez do estilo à languidez da pureza.

DEFEITOS DOS MEDITERRÃNEOS

1)      Tudo que é qualidade nos nórdicos;

2)     Escrever amarrado;

3)     Circunscrição ou fechamento;

4)     Timidez;

5)     Confusão.

De onde vem tudo isso? Ah, se tivessem prestado atenção ao Verri! Como o meio da vida dele se deu por volta de 1779, passaram-se 223 anos até 2002.

Será que não viram isso? Uns não viram, outros sim, o interesse de classe dos burgueses não-distributivistas mediterrâneos interpondo-se para impedir um estilo mais fluído, menos amarrado, menos torcido, mais transparente, mais “transferente” de info-controle. DE PROPÓSITO uns e por ignorância outros, todos alienados a seus interesses de classe, impediram a burguesia atrasada mediterrânea e seus herdeiros tropicais, Brasil no meio, de ter uma prosa translúcida, competente, capaz de transferir a riqueza do Conhecimento contemporâneo ao povo e até às elites.

Se Nietzsche diz que a língua é a alma nacional, se segue que a alma ou povelite ou nação mediterrânea é amarrada, presa, prisioneira de uma visão-de-mundo ou percepção-de-mundo tacanha, distorcida para menos, nada fantasista, nada futurista – é uma aplicação passadista, inoperante, quase morta, presa pelas pontas, pessimista de língua PORQUE a visão da burguesia mediterrânea é tudo isso. Como não tem projeto de largo curso, tem em correspondência uma lingüinha pequena, e até bífida, de cobra, língua dividida da subserviência, dos que são capachos.

Se Verri falava da Itália do Setecento (século XVIII) perante a França e a Inglaterra, podemos colocar o paralelo de agora, século XXI, em relação aos EUA e à Europa dos 15. Miserável tem sido esse destino nosso, que nos faz passar de uma dominação a outra, sucessivamente, sem nunca podermos aspirar ou chegar à liberdade. Que povinhos bundas moles nós somos!

Isso vem, sem dúvida nenhuma, como tenho dito e repetido, da pequeneza de nossos projetos, PORQUE na Belíndia que o Brasil é há 20 % de Bélgica, com 34 milhões de habitantes, e 80 % de Índia, com 136 milhões privados da língua/nação/alma/povelite mais potente, mais vigorosa, mais dinâmica, mais poderosa, mais futurível, mais autoconsciente e independente. Projetando só para 20 % a língua ou alma não precisa ser grande. E, como disse Fernando Pessoa, tudo é grande quando a alma não é pequena. Invertendo, poderíamos dizer que tudo é pequeno quando a alma ou nação ou língua não é grande.

Se o Brasil não pode ser grande PORQUE não pode servir a todos, porque existe uma miserável e empobrecedora e enxovalhante visão regressiva, conservadora de privilégios, então essa língua portuguesa no Brasil (que nem é mais portuguesa, apesar do que desejou Houaiss, pois é agora composta das percepções-de-mundo dos índios americanos, dos brancos europeus, dos negros africanos e dos amarelos asiáticos) é diminuta, em razão do encolhimento de cabeças implantada pelas técnicas de tortura das elites brasileiras, sobre si mesmas e sobre o povo.

Povo amarrado, elites amarradas, nação amarrada, língua amarrada, escrita amarrada.

Vitória, terça-feira, 24 de setembro de 2002.

Limpando o Campo Tributário

 

                            Como sou fiscal desde 02.07.1984, há mais de 18 anos venho pensando as questões tributárias, tendo feito uma série de sugestões, mais ou menos significativas. Em particular penso muito a relação de poder entre as elites dominantes e o povo dominado e como ela se estabelece TAMBÉM via tributação.

                            Os tributos (impostos, taxas e contribuições de melhoria) são um dos instrumentos preferidos da burguesia em qualquer lugar, está bem evidente, e eu poderia discorrer sobre eles horas, mesmo sendo direto e               claro, cristalino, muito denso. Ocorre que, dentro dos tributos, estabelecendo a ditadura tributária que é o IMPOSTO (imposto - não é motivo de discussão, deliberação, decisão, espontaneidade), há as constituições, as leis complementares, as leis ordinárias, feitas pelo Legislativo, e os decretos, portarias, ordens de serviços e que tais, estatuídos pelo Executivo, às vezes ou geralmente estando acima dos primeiros, embora devesse ser o contrário (é porque o Brasil é um país às avessas, de cabeça para baixo).

                            Verdadeira maçaroca de legalidades postas ali mais para confundir que para facilitar e esclarecer. Cinco séculos delas tornaram a coisa TÃO INTRINCADA que é virtualmente impossível de desvendar. Só o Regulamento do ICMS/ES, RICMS/ES, tem uns 850 artigos, que se desdobram em inúmeros parágrafos (só um tem uns 80), fora centenas de outras leis, portarias, ordens de serviço.

                            Por mim, até ser possível reeditar algo MUITO MAIS COMPACTO e tratável, eu aboliria tudo (com isso todas as vantagens, anistias impróprias, toda a trapalhada dos acordos feitos por debaixo dos panos e das moedas-papéis para a concessão de prazos para pagamento de substituições tributárias, todas as isenções, todas as facilidades, espúrias sempre), retornando às constituições e ao Código Tributário Nacional, dando um prazo de adequação de um ano (poderia valer imediatamente, dado que o CTN já foi editado há décadas).

                            Depois, lentamente, iria reconstruindo as leis com extrema dureza, sem fazer qualquer gênero de abertura indevida e sem estabelecer mais nenhum subsídio, que é a esmola que vicia o cidadão, conforme dizia Gonzagão.

                            Passaria uma borracha no passado e recomeçaria quase do zero. Aboliria de uma penada só todas as leis, todos os decretos, portarias, ordens de serviço, despachos, costumes, tudo mesmo, ficando só com aquilo mencionado. Revoguem-se as disposições em contrário, esta lei de desconstrução entra em vigor na data de sua publicação.

                            Sob pena da confusão reinante é melhor romper com os laços viciados de compromisso e recomeçar quase do zero, para algo tão importante quanto restabelecer a democracia do imposto, que é o tributo. Para reequalizar a gangorra do povelite/nação, retomando o crescimento sobre bases puras e interpretáveis.

                            Vitória, quarta-feira, 02 de outubro de 2002.

Liberalismo Cosmopolita

 

                            Lendo seu livro de história do terceiro ano do segundo grau Gabriel, meu filho de 16 anos, deparou com o liberalismo cosmopolita. Ele logo percebeu a questão, e perguntou se não seria a mundialização em curso. Era mesmo. Que seria isso senão a fórmula mais antiga para a atual globalização?

                            Cosmopolita = CENTRAL = GOVERNADOR = COMUNIDADE, e várias outras traduções, a Rede Cognata. Alguém está sempre propondo essa planetarização, porque, em primeiro lugar, ela já existe, desde o princípio, na evolução/revolução/reevolução da mesopirâmide.

                            As pessoas globalizavam: globalização pela primeira pessoa, pela primeira família, pelo primeiro grupo, pela primeira empresa humana. Globalização de maior porte com os ambientes: planetarização proposta pelo primeiro município/cidade, pelo primeiro estado, pela primeira nação. A diferença é que agora ela está sendo posta pelo próprio mundo, em bloco.

                            Quando os primeiros sapiens sapiens emergiram, 50 mil anos atrás, ou ainda antes com a Eva Mitocondrial e o Adão Y, 200 mil anos passados, na África, eles planetarizaram, globalizaram, mundializaram. Avançaram sobre o mundo, literalmente, sem peias, sem controles, sem limites, divisas, fronteiras. Desde então, com cada crescimento humano, foi sempre essa mesma expansão que se deu. A distinção é que agora essa idéia se manifesta simultaneamente de muitas partes do mundo. Não é um nem outro só que está falando, é muita gente, menos uma minoria, que não deseja, que quer regressão (seja ela composta de gente da esquerda ou da direita).

                            Como a soma é zero, sabemos de antemão que a globalização gerará problemas, mas novos e em número menor que os atuais. Já que a humanidade cresce em número e complexidade, não é possível manter o atual estado de coisas sem colocar-nos a todos em perigo, pois é fundamental termos um corpomente mundial maior para conter as nações em sua ferocidade e destrutividade. Neste instante, se houvesse um governo mundial efetivo, acima desse poder mixuruca da ONU, ele desarmaria o Iraque e impediria os EUA de atacarem.

                            Como liberalismo é superafirmação da liberdade, isso queria dizer que a igualdade iria sofrer, isto é, a liberdade seria obtida com grande perda do cosmopolitismo. Era um processo unilateral, favorecendo apenas a agressividade de quem podia vender, sem defesa alguma para quem era obrigado a comprar.

                            É preciso ter cuidado quanto a isso, nestes tempos novos.

                            As questões que devemos fazer são estas: 1) quem constituirá o senado dessa república mundial? 2) quem serão os deputados representantes? 3) quais as bases para escolha de uns e outros? 4) a presidência será rotativa em que termos? 5) que investimentos serão feitos nas áreas mais atrasadas? 6) como serão preservados os valores, as culturas, os conhecimentos mais antigos? 7) como se dará o ensinamento daquela escola mundial que solicitei? E assim por diante.

                            Pois, se naquele tempo do liberalismo cosmopolita a coisa era só retórica, só discurso, agora é para valer, é o anteâmbulo, o preâmbulo, o prefácio desse novo texto da Lei. Como sabemos, todo cuidado é pouco, para não nos vermos depois na condição de enganados partícipes da traição das letras pequenas.
                            Vitória, quinta-feira, 19 de setembro de 2002.

Julgamento Final

 

                            De um modo surpreendente demais para mim, a Rede e a Língua Cognata (veja o Livro 2, A Grande Signalítica)               confirmam as afirmações dos místicos e muitas das intolerâncias que eu sempre detestei. Parece que a visão de quem criou o alfabeto romano e as palavras não era lá grandes coisas para quem preza a liberdade e a igualdade.

                            Como exemplo em relação ao misticismo, tomemos julgamento final = TORMENTO HUMANO = BESTA SEIS = BESTA HUMANA = BOMBA FINAL (= ANEL = SOL = CHAMAS = PRIMEIRA = SOLAR, etc.) = TEMPESTADE FINAL = TEMPESTADE SOLAR e inúmeras outras traduções. Não era isso que transparecia nas imagens que temos, transmitidas por místicos de todos os tempos e lugares? De um inferno de fogo e chamas?

                            E que dizer de homem = PRISIONEIRO? Ou soldado = SUJO = PERVERTIDO? Ou de pobre = SUJO = PODRE? E de mulher = MÁ = RUIM = FALSA? E de pesadelo = SOFRIMENTO?

                            Isso quer dizer que quem inventou o alfabeto incidental ou propositadamente cravou todas essas indevidas conversões nos circuitos de nossas mentes. E então, desde sempre, somos portadores dessas instituições subterrâneas, desses preconceitos implantados profundamente.

                            Não é, de modo algum, o que eu esperava.

                            Vitória, quinta-feira, 03 de outubro de 2002.

Independência do Pensamento

 

                            O que poderíamos chamar assim? E quão independentes podemos ser? Em relação a quê?

                            Em relação aos mundos, sendo eles quatro, independentes seriam os dois primeiros (em 220 nações quatro grupos de 55), dependentes os dois últimos, por definição. O primeiro, totalmente independente, o segundo de independência relativa. O terceiro, dependente menor, o último totalmente dependente. Com relação às 55 nações do primeiro grupo poderíamos pensar do mesmo modo, e assim sucessivamente.

                            Com relação ao Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática), sempre a linha-de-frente da pesquisa & desenvolvimento teórico & prático. Portanto, nove modos, duas linhas de P&D P&T, os quartis (25 %) superiores. Nestes, o baixo, o médio e o alto conhecimento. No alto o inferior, o médio e o superior, altíssimo conhecimento.

                            Nas 6,5 mil profissões também a linha-de-frente do fazer.

                            Ou seja, aqueles que não pensam o que os demais estão pensando, que não são dependentes do pensar alheio, que ao iniciar qualquer atividade não se perguntam: “o que fulano ou beltrano estará fazendo ou pensando?”. Não há guia para o independente. Isso é que é independência, não-dependência: a inexistência de linhas de dependência, de aprisionamento, de correlação, de ligação a próximo ou remoto fazer ou pensar, ato ou inteligência, forma ou estrutura, imagem ou conceito.

                            Quando pensamos num tecnartista independente, por exemplo, um arquiteto, queremos falar de um que vai por si mesmo, que não é reflexo de ninguém, que está inventando rumos novos, que pensa o futuro, não o passado.

                            Você sabe muito bem que a grandessíssima maioria da humanidade, quase todos, pensam o passado, repetem o que já foi feito. Todos esses são, por princípio, por definição, dependentes, condicionados, subordinados, submissos, dóceis, ligados, conectados, compromissados. Estamos buscando os independentes, os incondicionados, os insubordinados, os insubmissos, os indóceis, os desligados, os desconectados, os descompromissados.

                            Onde está a Psicologia insubmissa?

                            Onde as figuras ou psicanálises desligadas, os objetivos ou psico-sínteses independentes de alheia aprovação, as produções ou economias incondicionadas, as organizações ou sociologias insubordinadas, os espaçotempos ou geo-histórias desconectadas dos comandos alienígenas? Onde as agropecuárias/extrativismos que não se dobram, as indústrias rebeldes, os comércios descolados, os serviços despregados, os bancos independentes?

                            Quão independentes podemos ser?

                            Pois tudo é questão de grau. Um louco é independente dos modelos humanos de comportamento, é uma psicologia ou alma que se desgarrou, que não pactua, exceto pela língua (através da qual, por sinal, pode ser trazido de volta à prisão, sabendo-se como). Um débil mental está ainda mais longe de intervenção humana. De um animal nos separam não apenas o ADRN, mas a língua e toda a cultura relativamente avançadíssima da humanidade capitalista de terceira onda. Dentro desta, quão independentes podemos ser? Primeiro, a independência é dolorosa, não é para qualquer um, é preciso ter uma formidável resistência interna, tolerar a solidão e a exclusão socioeconômica, até o ostracismo cultural. Segundo que a independência, sendo graduada, é um aprendizado de profundidades.

                            Finalmente, numa abordagem mínima, de espaçotempo tão pequeno, o que é realmente a independência de pensamento? De início há a independência, da qual poderíamos falar horas. Depois, há o pensamento. Só por ser pensamento já é dependência, porque só se pode pensar dentro de marcos-do-pensar, isto é, com língua, que é envoltório socioeconômico. Vendo assim, não há verdadeira independência, desde quando há pensamento, e pensamento é sempre dependência. Se trata de uma contradição em termos. SÓ UM pode ser absolutamente independente, Deus, que se descola verdadeiramente de tudo. Mas, quando Deus opta por criar o universo, ele opta por conceder a graça da liberdade, com o quê se torna dependente da continuidade de sua Criação. Fora esse um, todos os demais são dependentes, todos são RELATIVOS A ALGO. Desde quando há a mesma matéria, mesma energia, mesma informação, mesma memória, mesma inteligência e mesmo controle ou comunicação, há dependência. Vemos que a dependência, como a pobreza, é absoluta, enquanto a independência, como a riqueza, é relativa. Podemos dizer que se é rico de tal ou qual independência (relativa ao marco ou zero de definição).

                            Deste modo, somos dependentes.

                            Em que grau é que devemos decidir.

                            Devemos fazer um PROJETO DE INDEPENDÊNCIA, ou seja, escolher quão alto iremos, em termos de dependência. Como não pode haver verdadeira independência, exceto para um, o que fazemos mesmo é construir ESCOLAS DA DEPENDÊNCIA, com pedagogias da dependência. Por vezes dependência mais ou menos ilustrada, mais ou menos iluminada (pois, lembre-se, só há UM ILUMINANTE, o infinito, ∞, o resto é satélite do centro).

                            Como conclusão, há o fato inelutável de que toda proclamação de independência é sobretudo uma afirmação de ignorância, ou de arrogância.

                            Vitória, quinta-feira, 03 de outubro de 2002.

A Divisão dos Recursos do Imposto de Renda

 

OS QUE PAGAM E OS QUE RECEBEM (é assim mesmo que deve ser, “quem tem põe, quem não tem tira” – isso se chama federação, apoio no trânsito)


Entretanto, o recolhimento do IR (sempre lembrando que os três níveis da federação são imunes entre si, não pode fazer incidir tributos uns sobre os outros) deveria ser revisto: em vez de ir tudo dele para o governo federal para ser redistribuído, gerando o sistema imperial do “pires na mão” do pedinte e toda essa dominância dos deputados federais e senadores orientadores dos fundos distribuíveis.

UMA PROPOSTA DE REDIVISÃO

NÍVEL DE GOVERNO.
PROPORÇÃO.
Federal (um só).
1/3
Estadual (26 e o DF).
1/6 para o coletivo de estados fazer frente à federação dominante.
1/6 retornando a cada estado e DF, conforme recolhimento (SP ficaria com 33 % de 1/6 = 1/18).
Municipal (5.570).
1/6 para o coletivo de municípios fazer frente a cada estado.
1/6 para os municípios, (SP capital, com 11,5 % do PIB nacional, 1/9 de 1/6 = 1/54 do todo.

Temos de secar as fontes das impertinências do governo central.

Sem falar na minha proposta de reduzir os tributos de perto de 100 a apenas quatro, vá ler.

Vitória, sexta-feira, 30 de dezembro de 2016.

GAVA.