sexta-feira, 30 de dezembro de 2016


Geometria = Genética

 

                            Na Rede Cognata genética = GEOMETRIA = CONTADOR = CENTRO = GOVERNANTE = ATLANTE = AIGUPTOS (nome antigo do Egito) = CRISTO = COSTELA, etc., muitas traduções, vá ler.

                            Entre outras surpresas está a de que a geometria, tida até agora como “ciência”, a matemática dos ângulos e das proporções, seja equiparada à contagem, que é coisa da álgebra. E, por exemplo, quando se diz na Bíblia que “Deus fez Eva de uma costela (= GENÉTICA = CRISTAL = CRISTA, etc.) de Adão (= CLONE = QUIMERA = CRIME, etc.”), ou coisa assim, está-se mostrando um programa para lá de científico = GEOMÉTRICO, etc.

                            Quando, num texto, pedi que a Química (= GEOMETRIA = CIÊNCIA, etc.) fosse transformada numa combinação de cártulas ou cartuchos químicos, a serem processados num programáquina próprio, como se fossem frases de uma composição mais vasta denominada ecologia (biológica, pois existe uma Ecologia geral no modelo), estava pensando na geometria como a matemática dos ângulos e das flechas, e não como contagem, o que parece estar sendo sugerido pela RC.

                            Isso muda tudo, porque, a ser assim, o par polar oposto-complementar da Geoalgébrica, ou Matemática, é Álgebra, que seria o que é a Geometria hoje, e vice-versa.

                            E, sendo a Geometria uma contagem, e base idêntica da genética, o que quereria dizer isso? O que significa dizer que a genética é uma geometria (uma matemática, é compreensível) e uma contagem? Contagem do quê? A Língua e a Rede Cognatas não trouxeram paz de espírito, senão uma grande agitação.

                            Vitória, quarta-feira, 02 de outubro de 2002.

Formação Exponencial do Universo

 

                            Imagine isoladamente os carros.

                            Bastou Ford, Daimler e Benz terem-no tornado coisa prática em linhas de montagem há 120 anos para eles, enquanto invenções, darem saltos formidáveis. Seria interessante comparar os carros dos primeiros 10 anos com os dos últimos dez, peça a peça, por quantidade e qualidade, depois multiplicando os resultados, através de uma pontuação de 1 a 10, em vários quesitos, depois dividindo por um número conveniente, até obter uma cifra manipulável, perto de um (com o quê seria possível obter uma seqüência no tempo, para os 120 anos).

                            Ora, os carros, com suas velocidades muito maiores (uma pessoa andando a pé sem pressa faz seis quilômetros por hora, ao passo que um carro atual pode facilmente dar 120 km/h, 20/1) impuseram estradas largas, asfaltadas, busca de petróleo para recapeamento e para combustível, postos de combustíveis, oficinas de conserto, construção de fábricas e mais um milhão de outros itens. Estes, por sua vez, implicaram inúmeras invenções novas, que também levaram a outras multiplicações.

                            O forno de microondas significou que nós podemos guardar comidas geladas, esquentá-las em dois ou três minutos – com isso indo menos a restaurantes, que do outro lado procuraram novos modos de atrair a clientela.

                            E assim por diante para os milhões de patentes existentes hoje. Elas continuam a interagir exponencialmente. Há uns 25 anos eu vi a compressão história, que agora eu chamaria de compressão geo-histórica. O capitalismo de terceira onda anda MUITO MAIS depressa que o de segunda, e este mais que o de primeira. O capitalismo de quarta onda, primeira do socialismo, irá a velocidade ainda maior.

                            Para onde quer que olhemos há crescimento exponencial, hiperdesenvolvimento. E o mesmo se dá na formação do universo, na macropirâmide. Bilhões de anos para o aparecimento do primeiro replicador, centenas de milhões para a primeira célula, dezenas de milhões para o surgimento dos primeiros organismos, milhares para a primeira sociedade escravista, centenas para o desenvolvimento políticadministrativo até a terceira onda capitalista.

                            Isso não é ensinado nas escolas, mormente porque não dão uma visão orgânica do Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática), em particular da pontescada tecnocientífica. Não é mostrado que há uma elevação persistente até o Alto Conhecimento.

                            É ensinado tão somente o ritmo lento, ortodoxo e conservador, não-revolucionário, da evolução. Onde estão as revoluções, os saltos, as heterodoxias? Os jovens são ensinados a ver e obedecer ao medo das elites quanto a mudanças autônomas, não orientadas por sua organicidade. Assim são criadas pessoas muito tímidas, castradas de sua independência, firmemente obedientes, sem imaginação, o que é muito ruim para o mundo (mas, como a soma é zero, não devemos desprezar o lado bom, de sustentação por manutenção do passado).

                            Tal “exponencialidade”, condição do que é exponencializável, que pode ser exponencializado, sendo retirada da face do universo, fica parecendo que não há desastres NATURAIS, que acontecem sem querermos e até contra nossa vontade, e quando eles acontecem efetivamente ficamos com cara de tacho. SE víssemos os desacertos como naturais, esperaríamos que as evoluções passo a passo conduzissem a acumulações que levam a disrupções, a rompimentos, a fraturas, a interrupções do curso comum dos acontecimentos. Há acumulação pela represa e há rompimento dela, com espalhamento potencializado dos efeitos até então contidos.

                            Compreender e ensinar isso é fundamental para a proteção da humanidade.

                            Vitória, quarta-feira, 25 de setembro de 2002.

Filosofia Brasileira

 

                            Às vezes alguns perguntam: para quê serve a filosofia? O que fazer com a filosofia? Fico espantado demais da conta, como diz o povo da minha terra. Pois se o Houaiss se gaba de oferecer 215 mil palavras à meditação de cada um! Assim como os outros modos de conhecimento, a Filosofia pode se dedicar a estudar CADA UMA DAS PALAVRAS, não só superficialmente como profundamente, terminalmente. A filosofia serve para investigar. O que posso fazer com a filosofia é investigar para saber mais e melhor.

                            Como uma determinada palavra aparece quando falada por pessoas (indivíduos, famílias, grupos e empresas) nos ambientes (municípios/cidades, estados, nações e mundos)? Como dedicação é lida nas regiões brasileiras, ou nos países da América Latina? E apego? Qual é a razão de a imprensa brasileira escrever “duas vezes mais” (três vezes tanto quanto) quando quer dizer o dobro? Porque escreve “piso mínimo” e “teto máximo”, e comete tantos vícios de linguagem? Por quê há essa rejeição da língua portuguesa, com tanta veneração da língua inglesa (como antes foi da francesa, da romana, etc.)? O que significa o “jeitinho brasileiro”? Alguns já tentaram interpretar, mas foi insuficiente. Por quê tentaram passar (Sérgio Buarque de Holanda) essa história de “brasileiro é povo cordial”? Porque os políticos e governantes não se convencem da utilidade de prestar bons serviços, abandonando de vez a prática disseminadíssima do “caixinha”? Por quê tradicionalmente os inventores não foram estimulados no Brasil? Há tantas perguntas a serem feitas!

                            Por quê a filosofia brasileira demorou tanto a se assumir enquanto filosofia e mais ainda como brasileira, de interesse local descolado ou independente dos estrangeirismos? Por quê a robótica não pode ser instalada para produzir coisas mestiças? Por quê a mídia não desenha programas de interesse de negros, de índios, de asiáticos – só de brancos europeus? Por quê não há programas de TV mirando os países da América do Sul e da América Latina, ou sobre Portugal e os países de língua portuguesa, sobre os países latinos? Vê, quantos assuntos pulsantes, vibrantes, entusiasmantes?

                            Se a filosofia brasileira é deprimida, debilitada, aviltada, degradada não será por falta de assunto. É porque, ao copiar os estrangeiros, encontra-os sempre na frente, POR DEFINIÇÃO. Pois, se é cópia, que originalidade pode haver nisso? Se vamos falar do Ser e do Tempo, Sartre já falou. Quanto podemos acrescentar repisando os assuntos que os europeus já abordam há dois mil e quinhentos anos?

                            Nosso caminho deve ser outro.

                            A Filosofia não é uma lista de pensamentos permitidos, é GOSTAR-DE-SABER. De saber tudo, e cada coisa em particular. Como a figura pensante, a pessoa, está no Brasil, é com o ar, a água, a terra/solo, o fogo/energia, a Vida e a Vida-racional daqui que ela lida. O ar não é universal senão na aparência; ele tem nuances, pequenas diferenças que o fazem brasileiro, capixaba, de Vitória.

                            Se eu não assumir minha própria bandeira, minha própria língua, o meu ser e estar, quem o fará por mim? Se eu não cuidar de raciocinar sobre minhas condições locais de vida não será um austríaco que o fará. Então, filosofia brasileira deve ser GOSTAR-DE-SABER sobre o Brasil. E pode acreditar, meu caro, minha cara, quanto a isso o assunto é verdadeiramente inesgotável.
                            Vitória, sexta-feira, 04 de outubro de 2002.

Filmando o ES

 

                            Quanto pagaríamos pela filmagem de uma batalha decisiva da humanidade, por exemplo, a de Maratona, que manteve a liberdade da Grécia? Ou de qualquer fase da geo-história da África, das Américas, da Ásia, da Europa? A expedição de Cristóvão Colombo, as descobertas de Newton, a vida de Cristo (vixe!) e tantas coisas de que só o testemunho das palavras, quando há. A descoberta do fogo - o primeiro ser humano a conseguir domar a destruição, tornando-a construtiva. Os cuidados dos bebês neandrethais.

                            Tantas coisas que gostaríamos de ter conservado na memória, principalmente na memória fotográfica, em que cada quadro vale por mil palavras, segundo dizem.

                            O ES de agora é o menor de todos os futuros e certamente vai haver alguém lá que gostaria de saber como éramos e estávamos aqui. Como são as pessoas (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e os ambientes (municípios/cidades, estado, Brasil e mundo em que estamos inseridos) do Espírito Santo? Como são os operários, os intelectuais, os financistas, os militares e os burocratas daqui? Como opera o Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática) no ES? Como são a agricultura/extrativismo, as indústrias, o comércio, os serviços e os bancos capixabas?

                            Só os tolos podem pensar que nada há a fazer.

                            Tão recentemente quanto 1977, gostaríamos de ter filmado as manifestações (primeiras do mundo) contra a energia nuclear, contra a instalação de usinas de reprocessamento, especialmente. E as nossas iniciativas pela ecologia? E tantas outras coisas. E quanto ao Brasil, então?

                            Claro que as pessoas não iriam filmar a todo instante e todo ponto, isso seria proibitivo, há que haver seleção ajuizada, porisso mesmo uma coordenação psicológica (visando as figuras, os objetivos, as produções, as organizações e a geo-história ou espaçotempo).

                            Filmar o ES é tanto uma necessidade privada quanto pública, empresarial como governamental, governempresarial, pessoambiental, políticadministrativa, total. Alguém deve começar isso urgentemente.

                            Vitória, quinta-feira, 19 de setembro de 2002.

Estamos Sós?

 

                            As coisas da Matemática ou Geo-Algébrica devem valer para tudo mesmo, em toda parte do universo. Assim sendo, a Curva de Gauss ou do Sino, como um ômega grego (Ω), com uma ponta à esquerda e outra à direita, a maior parte dos acontecimentos estando concentrada no centro, deve valer em cada galáxia, em todo sistema solar. A margem estatística de erro sendo de 5 % acreditei que 2,5 % estão à esquerda e outro tanto à direita.

                            Resulta disso, pelo meu pensamento, que apenas 1 em cada 40 sistemas solares vai estar totalmente sem vida, ao passo que em 1/40 ela aparecerá de qualquer modo, nunca acabando. É ESSA ESTATÍSTICA QUE DEVE SER PERSEGUIDA. Em cada encruzilhada necessária-e-suficiente devemos propor essa partição de 1/40. Ou seja, em todo degrau da pontescada.

                            A micropirâmide (campartícula fundamental, subcampartículas, átomos, moléculas, replicadores, células, órgãos, corpomente) comporta sete passagens. Acontece que os sistemas solares já ultrapassaram o nível molecular, pois podemos ver moléculas por toda parte. Restam as passagens de moléculas a replicadores, destes a células, delas aos órgãos e destes aos corpomentes, quatro no total. Daí que (1/40)4 =1 / 2.560.000. A coisa é mais complexa que isso, porque há detalhes; por outro lado, se a Vida é persistente, devemos esperar que ela encontre soluções que a mantenham dentro das margens matemáticas. Como a Galáxia (Via Láctea) têm, dizem os cientistas, 400 bilhões de estrelas, podemos esperar que pelo menos 150 mil tenham nos planetas criaturas racionais ao modo humano.

                            Na mesopirâmide (indivíduos, famílias, grupos, empresas, municípios/cidades, estados, nações e mundo unido; esta última passagem do ciclo a Terra está fazendo agora), avançamos políticadministrativamente do Escravismo ao Feudalismo, ao Capitalismo (neste primeira, segunda, terceira onda), sem chegar ainda ao Socialismo, Comunismo, Anarquismo. Então, são três passagens, contando uma da falsa ordem anterior pré-humana ao Escravismo, (1/40)3 = 1 / 64.000, donde podemos tirar que EM QUALQUER MOMENTO vão existir pelo menos duas civilizações do nosso nível. Agora, como da metade para frente é Vida estável, sem recuo, 50 % de 400 bilhões são 200 bilhões de planetas com vida residual pelo menos, no patamar da experimentação dos primeiros replicadores.

                            Essa avaliação difere notavelmente daquela que é corrente desde Sagan e Shklovski, envolvendo tantas variáveis, dialética e dimensionalmente malpostas.

                            A Vida deve ser um fenômeno corrente, porque ela não tem nada de especial, sendo trivialíssima, relativamente, embora tão complexa enquanto conceito e construção. ELA ACONTECE MATEMATICAMENTE, dado que a Matemática está no centro do quadrado do Conhecimento (vértices mágico/artístico, teológico/religioso, filosófico/ideológico e científico/técnico) e no topo e na base da pirâmide dupla. Os dos ramos do Conhecimento forçam para este e aquele lado, quando deveriam prender-se à Matemática, enquanto sintanálise direta, sem emotividade.

                            Pode acontecer, acontecerá. Não precisamos ficar pedindo favor a um ou outro lado, o centro é que garante tudo. E no centro estão 95 % de possibilidades. Então, como é que ficaremos assombrados com esquerda e direita, esses extremos gritadores?

                            O único sentido em que estamos sós é naquele em que ainda não encontramos ninguém. Os europeus não terem encontrado até por volta de 1500 os outros povos da Terra não garantia que eles não estivessem lá. Por outro lado, eles terem estado na Terra não garante que eles estejam nos outros mundos. Nem um lado nem outro.

                            No entanto, sendo os números tão grandes e a Curva de Gauss tão infalível, é seguro afirmar que as chances de eles estarem lá são maciças, desde a vida incipiente até a mais avançada.

                            Vitória, quarta-feira, 25 de setembro de 2002.

Espalhamento Espacial

 

                            As pessoas que lidam com a ficção tecnológica (já disse que quem faz ficção científica são os cientistas) projetam futuros em que os seres humanos ocupam rapidamente os planetas e avançam para as estrelas. Mesmo que possamos migrar até as estrelas num prazo muito mais breve (como sugeri), COLONIZAÇÃO É OUTRA COISA. É muito mais demorada, leva séculos e milênios.

                            E isso em ambientes conhecidos e muito semelhantes, em que o suporte biológico/p.2 é tolerante para com a vida humana, e não em lugares hostis, com outras conformações da Bandeira Elementar (ar, água, terra/solo e fogo/energia, e no centro Vida alienígena, e, temor dos temores, Vida-racional alienígena). Veja que a colonização do Brasil, desde a descoberta em 22 de abril de 1500, já fez 500 anos e ainda há espaços enormes não colonizados (e que devem continuar assim, para proteção do ecopatrimônio).

                            Agora, olhe a Bandeira Elementar de Marte, da Lua, de Vênus, de Mercúrio, dos satélites dos jupiterianos. Pior de tudo, do vazio espacial. Note que são outros poços gravitacionais, diferentes do 1,00 G da Terra (na Lua, como sabemos, é 0,16 G). Há água em toda parte, mas pouca, exceto em Europa, que é um oceano gelado. E ar, hem? E Vida, hem? E Vida-racional, que é mais preciosa, hem?

                            As pessoas são muito afoitas e escondem dos outros e de si os detalhes, na pressa do convencimento alheio. Só agora (e felizmente), depois de (2002 – 1957) = 45 anos desde o Sputnik, é que as empresas privadas estão se lançando à colonização inicial da Lua, a partir de 2005.

                            E quanto à terra/solo?

                            Como a fórmula da superfície da esfera é 4π r2 e a porção 4π é uma constante, k, que dividida pela superfície de cada planeta referido à Terra tornar-se um, resta o quadrado da divisão de um raio pelo outro. A superfície da esfera ideal da Terra é de 510 milhões de km2.

                            SUPERFÍCIE DOS OBJETOS (106 km2)

                            (Entre parêntesis Terra = 1,00)

                            Mercúrio                                      74,8                  0,15

                            Vênus                                          460,0                   0,89

                            Terra                                             514,7                  1,00

                            Lua                                                 38,0                  0,07

                            Marte                                           144,8                  0,28

                            Olhe, no entanto, que 2/3 da Terra são constituídos por água, restando 170 milhões de quilômetros quadrados. Nos outros objetos a superfície é toda livre, embora em Vênus o planeta inteiro seja coberto por uma nuvem só, com temperaturas de 450 graus centígrados. Entrementes, tomando apenas a superfície útil da Terra, fazendo-a igual a um, temos uma nova tabela:

                            TERRA = 1,00

 

                            Mercúrio                        44 %

                            Vênus                            271 %

                            Lua                                  22 %

                            Marte                              85 %

                           

                            O ser humano, depois de milênios, em ambientes superfavoráveis relativamente, não colonizou senão uns 40 milhões de km2, digamos ¼ do total das terras emersas, a mesma superfície da Lua, metade de Mercúrio, coisa de 30 % da de Marte e um oitavo da de Vênus.

                            E isso são quatro objetos, que precisam ser terraformados por eco-arquiengenharia, de modo a acomodar as possibilidades humanas. Sem falar em 70 satélites, milhões de meteoritos, bilhões de cometas, inesgotável espaço vazio, e isso só no sistema solar, que é uma coisinha de nada, de 0,5 ano-luz de diâmetro. Há espaçotempo de milhares de anos para a aventura humana e pós-humana.

                            Além disso, pense nas variações de temperatura, desde os 300º K até perto de 0º K no espaço (três kelvin, na realidade, é a temperatura da radiação de fundo). Em resumo, a coisa não acontecerá no horizonte de 30 anos. Serão centenas e milhares de anos. Há que espalhar todos os enquadramentos do modelo. Por exemplo, pessoas: indivíduos, famílias, grupos e empresas marcianas. Em ambientes: municípios/cidades, estados, nações e mundos (marciano, digamos). Como construir dois milhões de bairros e distritos (que é minha estimativa para a Terra) em Marte, ou em Vênus, ou na Lua ou em Mercúrio, em CATPG (condições anormais de temperatura, pressão e gravidade)? Que empresas se desenvolverão lá? Qual a nova psicologia (psicanálise ou figuras venusianas; psico-síntese ou objetivos lunares; economias ou produções marcianas; sociologias ou organizações mercurianas; geo-história ou espaçotempo do vazio do SS) capaz de enfrentar esses espaçotempos hostis?

                            Ninguém faz esse tipo de sintanálise a sério, em longo prazo, para sustentar as construções de ficção. Ninguém investiga com um grupo de pesquisadores & de desenvolvedores teóricos & práticos os trilhões de derivações dialógicas desse novo futuro. Se as coisas já são complexas na Terra relativamente primitiva de agoraqui, como será nesse futuro fantasticamente mais complicado de depois?

                            Então, quando esses caras mostram o pseudofuturo ficcional eu rio por dentro, mas assisto, porque ajuda a esvaziar a mente, cansada talvez de pensar coisas menos absurdas.

                            Vitória, quarta-feira, 25 de setembro de 2002.

Escola de Noveconomia

 

                            Quando nós falamos de Noveconomia devemos falar de suas conexões psicológicas, ou seja, de nova psicanálise ou de novas figuras; de nova psico-síntese ou de novos objetivos; de noveconomia ou nova produção; de nova sociologia ou nova organização; e de novo espaçotempo ou nova geo-história.             Se não podemos investigar esses pontos todos, então não estamos falando de noveconomia.

                            E como não sabemos sequer o que são os outros vértices, evidentemente não estamos mesmos falando de noveconomia, só dos produtos isolados dela. Não de totalidade, só de parcialidade.

                            Que seria falar dos outros vértices?

                            Quais seriam as NOVAS FIGURAS?

                            A que bares vão as novas almas? Como falam DO NOVO, das novidades? Como rezam? Como viajam, como se alimentam, moram, fazem amor, compram? Não há descrição de nada disso, portanto, não há nenhuma NOVA PSICANÁLISE, como seria necessário. Mudou o corpo e mudou a mente da pessoa (novos indivíduos, novas famílias, novos grupos, novas empresas)? Mudaram os ambientes (novos municípios/cidades, novos estados, novas nações, novo mundo)?

                            E quanto aos NOVOS OBJETIVOS?  

                            O que procuram vender e comprar os NOVOS INDIVÍDUOS? Que clubes freqüentam? Que revistas adquirem? Quantos filhos pretendem ter? Que casas construirão? Como se formarão? Nada disso está descrito.

                            E sobre as NOVAS ORGANIZAÇÕES?            

                            Há novas organizações governamentais para recepcionar a noveconomia? Há novas organizações empresariais que estejam se catapultando para cima com novos métodos? Há novos modos de proceder em novas profissões e mesmo nas velhas profissões voltadas para o atendimento à noveconomia?

                            E o espaçotempo ou geo-história, renovou-se? Há um NOVESPAÇOTEMPO ou uma NOVA-GE0-HISTÓRIA?

                            Que é que há de novo nos espaços? O que de novo vem com cada segundo? Parece-me que vemos tudo igual, ou pelo menos muito semelhante. Há essa exaltação do novo como redentor pela burguesia redentorista, quer dizer, com remorso, porém em que isso nos beneficia?

                            Por último, mas mais importante, cadê a NOVECONOMIA?

                            Onde está a novagropecuária e o novextrativismo? Onde as novindústrias, o novocomércio, os novos-serviços e os novos-bancos? Você já reparou se algo de novo nos está sendo oferecido? Quase nada, não é? Essa tal noveconomia é mínima, quase insignificante. Por enquanto a velheconomia vai bem, cada vez melhor, usando e abusando de sua parenta mais novinha, pobrezinha, tão jovem e inexperiente.

                            Entrementes, se vai, como vai surgir uma noveconomia, o que há de novo é que pelo pré-anúncio podemos preparar-nos para a criação de uma ESCOLA DE NOVECONOMIA. Em relação a isso a Escola da Velha Economia só surgiu muito depois, o que, aliás, foi uma pena e grande perda. Agora podemos antecipar-nos, o que é uma grande vantagem.

                            Vitória, quinta-feira, 19 de setembro de 2002.