sexta-feira, 30 de dezembro de 2016


Dupla Pirâmide

 

                            No modelo há uma dupla pirâmide, uma que aponta para cima, o Conhecimento alto (Magia, Teologia, Filosofia e Ciência), da qual a alta Matemática é o centro e topo teórico, e uma que aponta para baixo, o Conhecimento baixo correspondente (Arte, Religião, Ideologia e Técnica), da qual a baixa Matemática é centro e base prática.

                            Sempre as imaginei coladas, uma no fundo da outra, compondo um octaedro regular, mas recentemente pensei-as interpenetradas (embora eu já tivesse imaginado, não via utilidade). Fundidas, deixando igual altura na pequena pirâmide que fica acima da base da de baixo e na sua correspondente inversa, temos uma estrela. Uma projeção numa parede defronte nos daria a Estrela de Davi ou Selo de Salomão, de seis pontas, aquela mesma estrela que os xerifes de alguns condados nos EUA usam, com o centro sendo o sétimo elemento. Já a dupla pirâmide teria dez pontas, com um centro formando onze elementos (como no jogo de futebol).

                            Viria a ED ou SS de algum conhecimento antigo avançado? É lógico que foram herdadas dos egípcios, desde quando José, primeiro ministro do faraó, penetrou ou adentrou os conhecimentos, mistérios ou modelos dos sacerdotes. Seus descendentes tomaram o mesmo caminho e quando foram embora 400 anos depois levaram consigo parte dos segredos egípcios (inclusive a Arca da Aliança).

                            Desde logo percebi que a menorá de 7 velas corresponde a metade do desenho corrente de Atlântida = AUGUSTO = CRISTO = ADEPTO = CENTRO = GOVERNADOR = GOVERNANTE = AIGUPTO (o antigo nome do Egito). Agora vejo que é apenas um corte na horizontal, correspondendo a sete esferas com mesmo centro. Era uma máquina, imagino que de transporte, por exemplo, transporte interestelar. Em primeiro lugar coloque mentalmente um espelho, obtendo o desenho plano de Atlântica; depois gire a menorá em revolução, obtendo as sete esferas. Eis a máquina. Em algum momento, se existiu, ela pode ter explodido, consumindo uma parte da Terra (ou de outro planeta – teríamos ecos místicos e lendários de um tremendo estouro).

                            Em todo caso, a dupla pirâmide (= DUPLO PLANETA, na Rede Cognata, assim como Terra e Lua são) é um símbolo formidável, estarrecedor mesmo. A base do octaedro deveria ser rodada 90º, as duas pirâmides desceriam uma sobre a outra, fundindo-se; tenho tentado, mas não consigo ver as figuras que são formadas dentro, tanto a espacial quanto a projeção no plano. Esta deve ser um hexágono. A outra deve ser um dodecaedro, mas não sei.

                            Vitória, sexta-feira, 04 de outubro de 2002.

Dois Pinóquios Recentes

 

                            No filme com Robins Willians, baseado em texto de Isaac Asimov, O Homem Bicentenário, que conta a história de um robô que durante duzentos e tantos anos busca tornar-se humano, e no deplorável filme dirigido por Steve Spielberg, IA (Inteligência Artificial), onde um garoto-robô, interpretado pelo garoto Osmond busca tornar-se humano (num período de milhares de anos), o que está sendo retratada é a velha questão de Pinóquio, o boneco de pau que queria ser gente.

                            Até então parecia, apesar de tudo (14 mil guerras e bilhões de atrocidades cometidas contras seres humanos, animais, plantas e fungos, contra todo tipo de vida, aliás), que ser pessoa seria coisa boa. Agora devemos rever nossos conceitos.

                            Em primeiro lugar, o mapeamento do genoma humano abrirá caminho para reparo das quatro mil (segundo Asimov) ou cinco mil doenças humanas hereditárias, de modo que no futuro só as terá quem quiser (quem desejaria não ter, ser deficiente de uma perna? –porém sempre existe um doido).

                            Em segundo lugar, novos seres serão acrescentados, a partir do que já existe (golfinhos, macacos, elefantes, baleias expandidas), e construindo do zero robôs e computadores inteligentes, sem falar em seres humanos expandidos (ciborgues) e robôs humanizados (andróides), não contando ainda as meras adições de módulos de memórinteligência. Quem hoje desejaria ser um neanderthal? Ou qualquer primata? Ou, muito mais próximo, um medievo? Ou sequer um do século passado? Ou da década dos 1960, quando os negros e as mulheres eram reprimidas? Quem desejará ser como nós, quando poderes muito maiores, dos quais não fazemos mesmo pálida idéia, estiverem disponíveis?

                            Em terceiro lugar, haverá uma variedade nova de aceitações e consentimentos, novas interações em rede, exponencialmente elevadas. Nós ficamos imaginando este mundo em que estamos agoraqui como referência. Quem, no século 19 e até na primeira metade do século 20 poderia imaginar as coisas que estão acontecendo em nossos dias? Se há 50 anos as pessoas mais avançadas não puderam, salvo exceções, imaginar o que está efetivamente ocorrendo agora, que dirá de 200 anos no futuro?

                            Certo, são filmes, é diversão passageira, para o povo, e como tão devemos aplaudir – a vida é dura demais, precisamos dessas digressões, dessas alucinações coletivas que são as tecnartes. Contudo, em termos reais, um pouco de pensamento convém para demolir essas fábulas, cuja ingenuidade é por vezes um serviço burguês direto ou indireto, na medida em que serve para desviar a atenção dos nossos problemas mais graves, que submetem o povo à escravidão de corpo e de alma, como está posto na palavra original robot, escravo. Povo escravo das elites, elites escravas de sua tendência de submeter o povo a desmandos e reduções psicológicas.

                            Você voltaria a este tempo da burguesia?

                            Você desejaria ser gente burguesa?

                            Se eu fosse robô ficaria na moita alguns séculos ou até milênios, esperando a onda de selvageria passar.

                            Vitória, quarta-feira, 02 de outubro de 2002.

Dizer com Clareza

 

                            Creio que foi Wittgenstein quem disse que tudo que se pode dizer se pode dizer com clareza. Podemos pegar carona nessa visão profunda para falar mais algumas coisas.

                            O que se pode dizer com clareza? Há três modos (quatro, mas o quarto é não dizer) de dizer com clareza:

                            1) o do povo, que é o senso comum;

                            2) o das elites, que é a busca do Conhecimento alto (Magia, Teologia, Filosofia, Ciência) e baixo (Arte, Religião, Ideologia e Técnica – este degenerado em certa parte) e a Matemática;

                            3) o do encontro do povo com as elites, o falar do povelite ou nação.

                            Com que clareza diz o povo?

                            A clareza do povo não pode ser a do raciocínio, porque quem conseguiria lavar pratos raciocinando sobre o prato, o solvente universal, que é a água, os sabões, a geo-história da tarefa, os panos de prato, sua confecção, preços de salários de lavadores de pratos, sindicalização, enfrentamento dos governos, exploração pelas elites, etc.? O povo fala SENTIMENTALMENTE com clareza. Sua clareza é a do sentimento, direto e sem rebuscamentos, a clareza de instantes, do pontinstante curtíssimo no espaço e no tempo.

                            E qual é a clareza das elites?

                            O raciocínio das elites, que é lento e minucioso, de quem tem tempo de ócio, tempo destinado às circunvoluções mentais, este é de uma clareza meridiana DE CLASSE, isto é, é de uma clareza interesseira, do dominante, até do tirano, do ditador, do ocupador racional dos horizontes nacionais, que usa a língua como patrimônio socioeconômico restritivo de classe.            Então, a clareza das elites é CLAREZA PARA AS ELITES, não para o povo. Há necessariamente um fechamento em relação ao povo.

Há um múltiplo fechamento:

a)     Primeiro, dos alienados, que falam, mas não sabem que falam PARA IMPEDIMENTO DO POVO;

b)    Há os despertos, os orgânicos de classe de Gramsci, os que têm plena consciência de serem aproveitadores, destinados pelas elites oprimirem o povo, a serem os instrumentos lingüísticos da opressão, falando despudoradamente a favor do domínio capitalista;

c)     Há o fechamento pela autocensura, pelos que sabem mas se calam, por este ou aquele medo ou compromisso;

d)     Há o fechamento pela censura, o corte visível da palavra;

e)     Há o fechamento de todo o sistema jurídico, toda a pseudojustiça capitalista;

f)      Há o fechamento das forças armadas, braço armado da compressiva potência de classe;

g)     Há o fechamento de todo o sistema legislativo, falsa permissão da palavra conexa e comprometida;

h)     Há o fechamento pelas obras seletivas de todo o sistema executivo dos governos em todos os níveis federal, estadual e municipal/urbano.

i)       Há o fechamento pela mídia comprometida, que só abre para os adesistas, os do paralelo burguês.

E outros, claro, procure você mesmo.

Há a clareza da identidade entre liberdade das elites e igualdade do povo, a livrigualdade do povelite ou nação, o compromisso pelo melhor viver em respeito mútuo.

E em cada um desses falares deve (ou deveria) haver pesquisa & desenvolvimento teórico & prático da clareza. Infelizmente há muito menor clareza do que seria útil ter. Infeliz-mente das elites. E infelizes corpos do povo.

Vitória, terça-feira, 24 de setembro de 2002.

Dialógica Quântica

 

                            Para me gozar no posto fiscal de Santa Cruz, Mimoso do Sul, sul do ES, o colega fiscal JNN me disse para falar de “lógica quântica”, o que obviamente não existe. Entrementes, pela Rede Cognata, quântico = QUANTIDADE = AUGUSTO, que é meu nome do meio. Além disso lógica (monal) + dialética (dual) = dialógica, como chamei sem saber que já existia no dicionário. Penso que a dialógica é o diálogo do mundo.

                            Por outro lado quântico vem de quantum, exatamente quantidade no latim, com plural em quanta, quantidades.

                            Por sinal, lógica = DIALÉTICA = DIALÓGICA, de forma que sem querer ele foi mesmo ao ponto. Pretendendo me atacar me auxiliou (tal como diz a dialética) a entrar num novo assunto, que é verdadeiramente importante, porque a dialógica vem em ondas, num bate-rebate de opiniões, que é o diálogo mesmo, comportando duas pessoas em interação pelo Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática), procurando trocar IC (info-controle, informação-controle ou comunicação) para (em geral) mútuo crescimento.

                            Podemos indagar como essas cártulas ou cartuchos psicológicos, como os chamei, operacionalizam o Conhecimento geral? Pegam as pessoas ou figuras da Enciclopédia as palavras do Dicionário para compor frases que traduzem os pensamentos, que são as organizações das percepções; compondo períodos, elas vão cinzelando a realidade, vão construindo nos duros blocos dos dados composições ou esculturas ou modelos do real que, sabidamente, representam apenas parcialmente esse real olhado. Assim como estou fazendo agoraqui, ou JNN fez lá, para me ofender, o pateta.

                            Essas palavras são quantuns compreensivos, quantidades que transferem IC, exatamente aquelas cártulas ou cartuchos que medeiam entre as figuras. São as melhores que existem? Podem ser melhoradas? Como podemos transferir em minimax (o máximo com o mínimo), em maior rendimento? Podemos aprender a transferir melhor (o fazemos bem nas escolas)? Podemos transformar os quanta, todos os quantuns, em equações e colocá-los em programáquinas de falar?

                            Haveria um P/M tal que avaliasse se um livro foi escrito em minimax? E se as construções de frases tem leveza, clareza, transparência total, estilo ou modelo fluído? Por exemplo, J. R. R. Tolkien, criador da saga d’O Senhor dos Anéis, foi um mestre incomparável das construções.

Quando a inteligência virtual ou artificial for criada saberemos (e ela saberá) aprimorá-la (aprimorar-se) para essa pretendida total e econômica transparência?

                            Haverá um diálogo quântico universal de máxima potência expressiva, isto é, uma língua universal (a chamada “língua dos anjos”, de São Paulo) para a qual esteja dada essa condição de potência extrema?

                            Viu só como o JNN, no alto de sua estupidez, abriu tantos novos caminhos? Isso nos diz que até os tolos podem ajudar a construir o melhor futuro.

                            Vitória, quarta-feira, 02 de outubro de 2002.

Diabretes

 

                            A Rede Cognata diz que diabretes = DIABETES = DIABOS. Daí que, quando dizem, “está com o diabo no corpo” estão dizendo “está com a diabete no corpo”. Será possível que pessoas “possuídas” estejam apenas sofrendo de excesso de açúcar no sangue? Seriam aqueles espasmos causados por taxas muito elevadas de glicose? Aquelas convulsões características viriam da diabete?

                            O exorcismo, privando as pessoas de alimentação, talvez concorra para baixar a taxa de glicose, dando fim ou diminuindo ou temperando os ataques. Antes, quando não sabíamos que crianças podiam ser também acometidas de elevadas taxas, não tínhamos razão para pensar algo assim. Seria o caso de investigar, se foram feitos exames de sangue em casos clássicos de possessão, se aquelas pessoas tinham alterado seu perfil sanguíneo.

                            Aquelas freiras descritas por Huxley, o exorcismo do filme (que se baseou em fato, muito alterado, segundo dizem), todos esses casos, teriam vindo de algo tão simples assim? Desmaios, vômitos e outros efeitos podem se apresentar em diabéticos?

                            Claro, a causa física não exclui a causa psicológica, inclusive a possessão verdadeira. Por ser até uma oportunidade, que sabemos nós? Entretanto, conhecer as causas físicas nos permitirá colocar de parte o que não for genuinamente psicológico e até extra-humano, sei lá.

                            Diabretes são pequenos diabos. Já vimos num texto do Livro 7, Doenças = Deuses, que não é atoa que os antigos diziam que as pessoas doentes estavam tomadas pelos deuses. Os “pequenos diabos”, os diabretes, as diabetes, causariam aquelas manifestações?

                            Se for verdade isso, não apenas a Língua e a Rede Cognata servirão às pesquisas & aos desenvolvimentos biológicos e p.2, como de toda a pontescada tecnocientífica e de todo o Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática), como também das 6,5 mil profissões, e de tudo que os seres humanos fazem em cada língua que, como disse Nietzsche, é a alma nacional – o português do Brasil sendo a alma brasileira. Essa alma falaria muito mais fundo de todos nós do que imaginávamos antes.

                            Vitória, quinta-feira, 19 de setembro de 2002.

Construindo o Inimigo Externo

 

                            Depois do 11 de setembro de 2001, com o atentado do WTC, as torres gêmeas do World Trade Center, os EUA endureceram interna e externamente. Também, foi um choque, ser atingido pela primeira vez DENTRO MESMO do país. Porque antes dos Estados Unidos entrarem na II Guerra Mundial o Havaí foi atingido, mas ele era então território, só tendo sido transformado em estado (o qüinquagésimo, 50º) em 1959. Situa-se a milhares de quilômetros do continente, é composto basicamente de um povo não-branco posto em algumas ilhas vulcânicas com 16,7 mil km2 (pouco mais de 1/3 do território do ES), e era e é uma economia literal e metaforicamente periférica. Quanto à Guerra de Independência em 1776, então apenas as 13 colônias, os EUA não eram um país independente, estavam pretendendo ser. Na prática o território ainda era britânico. Em resumo, eles sempre foram os ofensores, os que jogavam as bombas nos outros.

                            Agora a coisa foi inteiramente diferente.

                            Nova Iorque é o coração real e emocional dos EUA, o país é muitíssimo mais poderoso que em 1941 ou em 1776. Não foi uma nação predominantemente branca, como era a Grã-Bretanha em 1776, ou um poder crescente e ameaçador, como o Japão de 1941. Não são cristãos, não são de fundo greco-romano, são tão alienígenas quanto se pode ser no mesmo planeta. E os árabes, grupo fundamentalista Al Qaeda, Osama Bin Laden, foram lá dentro e feriram de morte a nação, com algo tão trivial quanto aviões de carreira.

                            Quer melhor que isso para inimigo?

                            Com o fim da ameaça soviética, com a queda da URSS em 1991, a flecha azul ficou sem a flecha vermelha que dava sustentação à quietude interna e externa. Como calar os inimigos internos dos dois partidos, Republicano e Democrata? Como atemorizar o inimigo externo, já que a ameaça de uma guerra termonuclear total não pode mais ser posta, nem por Hollywood?

                            Sei desde 1985, no que então chamei de Tramóia do Ien, que os EUA pensam com o auxílio dos tecnocientistas e demais pesquisadores & desenvolvedores dos vários ramos do Conhecimento, em especial os futurologistas em Economia, em Sociologia, em Psicologia em geral, 15 ou 20 anos no futuro, e preparam agora as surpresas que teremos em 2020.

                            Portanto, se segue que eles estão construindo o inimigo externo e o inimigo interno, para assombrar as populações americanas e mundiais. O complexo industrial-militar, já largamente denunciado inclusive por presidente americano, não cala e não deixa de trabalhar nas sombras.

                            Foi divulgado que a CIA já sabia de um presumido atentado grande que estava sendo planejado. Que um embaixador árabe foi aos EUA prevenir as autoridades de lá. Como na Segunda Guerra, quando eles foram antecipadamente informados pelo Japão e calaram, agora fizeram o mesmo, num teatral jogo de guerra, com o custo de “somente” três mil indivíduos (e a dor de suas famílias, grupos, empresas, etc.) e algumas dezenas de bilhões de dólares. Já sabiam há duas décadas que a socioeconomia americana vinha declinando. Batra preveniu, apontando até a data de eclosão. Vários desenharam os cenários (inclusive eu, aqui desconhecido, por enquanto).

                            Haviam treinado os terroristas afegãos na guerra contra a URSS. Forneceram-lhes armas e dinheiro, precisamente através da CIA. Permitiram a entrada dos encarregados, em aeroportos supervigiados. Enfim, nada me tira da cabeça que eles consentiram nos atentados, se não os prepararam e financiaram, e que o povo de lá nunca poderá ser convencido disso.

                            Não foram os primeiros nem serão os últimos a construir o inimigo externo. Em português chulo isso é chamado de “escolher o pato”, ou “escolher alguém para Cristo”.

                            Vitória, quinta-feira, 03 de outubro de 2002.

Como São os Alienígenas

 

                            Em primeiro lugar, é preciso pensar que NÓS SOMOS OS ALIENÍGENAS deles lá. Olhemos para nós, corpo e mente, e pensemos quão estranhos nós somos – fungos, plantas, animais e seres humanos. Que estranho é este planeta, pelo lado da Bandeira Elementar: estranheza do ar, estranheza da água, estranheza da terra/solo, estranheza do fogo/energia. Pense que de um ADRN só vieram milhões de espécies, das mais diferentes conformações, nas mesmas condições de temperatura e pressão. E que para cada espécie viva hoje há outras 100 que já desapareceram, algumas estranhíssimas. Pense nos peixes abissais apavorantes que a gente vê no TV.

                            Depois, devemos reolhar a questão.

                            Em geral os ficcionistas de cinema e TV colocam a questão sob a ótica das imagens, das figuras, das superfícies, dos sentimentos, e não dos conceitos, das estruturas, das concepções, das idéias, dos pensamentos. Há, por assim dizer, sentimentalismo, a sobreafirmação dos sentimentos, sendo todo “ismo” doença do info-controle mais apto, agoraqui a humanidade.

                            Só olhamos as formas.

                            E os conteúdos? O que pensam os alienígenas? Raramente, apenas em alguns filmes melhores, faz-se menção ao que os aliens desenvolveram como civilização, como apreciam o mundo, como o investigam, como o observam e julgam. Em geral a visão do exterior é depreciativa – só os vemos como monstros.

                            Se, na Terra, olhamos com desconfiança os seres humanos mesmo (não aos animais, plantas, fungos, mas seres humanos mesmo – não chimpanzés, que partilham 99 % de mensagem genética, mas seres humanos, que partilham 100%), só por conta de diferenças de cor de pele, de altura, de largura, de profundidade, de sexo, de idade, de condição socioeconômica, QUE DIRÁ DE ALIENÍGENAS?

                            “Alienígena” quer dizer os que nasceram no estrangeiro.

                            Os bárbaros eram impiedosamente tratados por todos os povos antigos, e se para o de cá o de lá é que era bárbaro, o mesmo se dava ao contrário – para o de lá o de cá é que era o bárbaro. Como cristãos tratam islamitas, e vice-versa? Como os cristãos SE TRATAM, se são desta ou daquela seita, desta ou daquela forma de ver Jesus?

                            Como os alienígenas nos verão?

                            Não dizemos que “os japoneses são todos iguais”? Antes dizíamos que todos os negros eram iguais, indistinguíveis uns dos outros, o que quer dizer que não tínhamos tempo para apreciar suas diferenças físicas e mentais. E negamos alma ou racionalidade ou língua a metade da humanidade, as mulheres; até 80 anos atrás nem podiam votar. Até 40 anos atrás era desaconselhada sua entrada nas universidades. O próprio conhecimento, que nos faz humanos, era proibido às mulheres!

                            Como os alienígenas nos verão?

                            Se nós nos vemos com horror, imagine eles!

                            Como são os alienígenas?

                            Espero que melhor que nós.

                            Quanto à conceitualização, que pensam eles? Que pensam das pessoas (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e dos ambientes (municípios/cidades, estados, nações e mundos) seus? Qual a sua expectativa quanto ao Conhecimento (Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática)? Quais são as profissões deles? A FC e a Fantasia não abordam essas questões senão marginalmente – os seres humanos estando sempre no centro das atenções e da tela. Autocentrismo, etnocentrismo, muitas doenças.

                            Veja, a pergunta se divide em duas: 1) como são os alienígenas formalmente? 2) como são os alienígenas conceitualmente? Não houve ainda investigação a fundo.
                            Vitória, quinta-feira, 19 de setembro de 2002.