quinta-feira, 29 de dezembro de 2016


Rio de Janeiro a Janeiro

 

Como é possível que o Rio de Janeiro (estado e cidade) tenha se tornado essa massa falida anunciada?

A MASSA FALIDA

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Mas, como?

Como aconteceu?

Ocorreu através dos infiéis, dos aproveitadores, dos que só queriam levar vantagem para si. Como foi possível que com tantas dádivas o Rio de Janeiro exemplo do Brasil, exemplo do mundo, tivesse mergulhado na miséria que estamos presenciando? Eles mesmos terão de se reerguer com o sacrifício local estadual e municipal-urbano, muito trabalho a realizar.

Enquanto isso vamos olhar as dádivas.

DANDÁDIVA

PRÊMIO DA NATUREZA, Cidade Maravilhosa.
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PRÊMIO GOVERNAMENTAL (1763 a 1960, quase 200 anos capital, carreava dinheiro de todo o país, como Brasília atualmente).
Uol Vestibular
Rio de Janeiro foi capital da colônia portuguesa em 1763
Ricardo Bonalume Neto
da Folha de S. Paulo
A mais fascinante cidade do Brasil é, de longe, a que mais concentra a história do país. O Rio de Janeiro tornou-se capital da colônia portuguesa em 1763. Em 1808, virou a sede de todo o império português, com a atropelada fuga da monarquia de Lisboa para o trópico. O Rio passou a ser a capital de um império que incluía Angola e Moçambique, na África; Goa, na Índia; Timor, Sudeste Asiático; e Macau, China.
GENTE.
6,5 milhões na capital, 12,3 milhões na região metropolitana, 16,0 milhões no estado: COMO eles não conseguem pensar grande? Só as corjas de governantes do Executivo, políticos do Legislativo, juízes do Judiciário, empresários pensando somente em si e no prazer contínuo pode ter condenado tal estado à penúria.
RÓTULA.
O estado fica na chamada rótula, o Sudeste (SP, MG, RJ e ES), em torno de que tudo mais gira no Brasil, 60 % do PIB nacional – de que jeito algo dá errado em tal companhia?
BRASIL.
Mesmo com toda corrupção e desacerto, o Brasil é potência mundial: quando a Europa é contada como uma só, incluído o Reino Unido, o país desponta com a quinta economia global. Mesma língua, costumes semelhantes, solo favorável, três colheitas por ano – como algo pode dar errado num lugar assim? Eles têm de ser MUITO estúpidos, mesmo.

Em resumo, eles vão ter de trabalhar e não é pouca coisa, não.

Vão ter de abandonar a orgia e mourejar.

São séculos na gandaia, na devassidão, na libertinagem, no liberalismo de tudo à solta, tudo sem controle, só festa.

Ninguém os salvou deles mesmos.

Eles, os cariocas e os fluminenses, vão ter de trabalhar pesado e punir os culpados, os transgressores, os opressores, os bandidos. Da dialética já sabemos que será um lugar maravilhoso, o oposto de agora - entretanto, quando? Depende da quantidade de empenho.

Vitória, quinta-feira, 29 de dezembro de 2016.

GAVA.

Ser Deus

 

TIRADO DO ARTIGO ANTERIOR (Como Podemos Saber se os Ateus Existem?). E aumentado.

DEUS É (essência transcendental).
OCULTO, O QUE ESTÁ EM CIMA.
Permanente, elemento subsistente que sempre foi, agoraqui em toda parte é, será sempre.
Fosso intransponível de baixo para cima.
A NATUREZA EXISTE (exterioridade imanente, tudo que se pode pegar).
EVIDENTE, O QUE ESTÁ EM BAIXO.
Impermanente, elemento insubsistente que termina, morre, enferruja, fraqueja e desaparece.

Na realidade, não é em cima e em baixo, é no interior e no exterior.

A Natureza em que vivemos é toda ela exterior, é o que se pode pegar, é tudo que podemos tocar, é o imanente exterior.

Já Deus, ele é, porém O QUE É o que é?

Veja, Deus não se fez, não se construiu, não se imaginou, não nasceu como a Natureza no barulhão (big bang), não emergiu: ele sempre foi o mesmo, é agoraqui e será sempre, nunca mudando, nunca somando ou diminuído – é aquilo que é de fundo o SEMPRE FOI, SEMPRE É, SEMPRE SERÁ.

Isso é SER DEUS.

As naturezas se modelam dele em imperfeição nas somas dos acasos, nas pulsações aleatórias, randômicas. As naturezas EMERJEM, projetam-se das possibilidades, das potências, das necessidades, dos imperativos. DE todas as possibilidades a natureza presente escolhe caoticamente as somas que vão imperar; não pense que não é possível com o movimento browniano compor as formestruturas, pois estamos vendo-as: só que não são as perfeitíssimas de Deus, são aquelas de que podemos dispor, por exemplo, no Brasil, com todas essas corrupções mostradas, evidenciadas como ferrugem do sistema.

Em Deus não há corrupção, seria ilógico.

Então, ESTAR NA NATUREZA significa sujeitar-se às imperfeições, às perdas, aos desaparecimentos, à penúria de soluções satisfatórias. Para tudo que fazemos ou pleiteamos devemos contar com as faltas, as incompletudes.

Já Deus, ele é aquele fundo impoluto persistente.

Isso é SER Deus.

Vitória, quinta-feira, 29 de dezembro de 2016.

GAVA.

Como Podemos Saber se os Ateus Existem?

 

No livro de John Ankerberg e Dillon Burroughs, Como Podemos Saber que Deus Existe? São Paulo, Holy Bible, 2010 (s/d do original), eles dão na página 17 estatísticas de “durante os anos de 2006 e 2007”, dizendo: “(...) os livros mais vendidos sobre ateísmo chegaram perto de um milhão de cópias”.

Como já disse, Deus não existe, o que existe é a Natureza: Deus é.

ASSIM

DEUS É (essência transcendental).
OCULTO.
Permanente, elemento subsistente que sempre foi, agoraqui em toda parte é, será sempre.
Fosso intransponível (de baixo para cima).
A NATUREZA EXISTE (exterioridade imanente, tudo que se pode pegar).
EVIDENTE.
Impermanente, elemento insubsistente que termina, morre, enferruja, fraqueja e desaparece.

AGORA OS NÚMEROS DOS EXEMPLARES (de 2006/7, agora deve ter aumentado muito). As traduções são as do livro, quando publicados no Brasil tomaram outros títulos.

MILHARES
TÍTULOS DO LIVRO
AUTOR.
500
A Desilusão de Deus.
Richard Dawkins.
296
Deus Não é Grande (Como a religião envenena tudo).
Christopher Hitchens.
185
Carta a Uma Nação Cristã.
Sam Harris.
64
Quebrando o Encanto (A religião como fenômeno natural).
Daniel C. Dennett.
60
Deus: A hipótese que falhou – Como a Ciência prova que Deus não existe).
Victor J. Stenger.

Que Deus não existe foi de onde partimos.

Ele é, significando que não desaparece nunca, persiste, nem valendo a pena falar de tempo, porque não explica. Ele é o fundo de onde saem as Naturezas todas destinadas desde o princípio a desaparecer.

Já os ateus, estes existem mesmo: vão sumir, vão desaparecer, vão morrer, vão fraquejar, tudo neles está enferrujando, tudo está morrendo. Emperra, grimpa, sucumbe e esvaece, some. Por mais que dure (o Sol tem 5,0 bilhões de anos, dizem que vai durar outro tanto: mas, de ele existir, sabemos que findará), extingue-se. As espécies permanecem entre 999/1 e 99/1, quer dizer, entre 0,1 % e 1 %.

E os ateus não sabem nada de dialética, que as coisas que vão, vem, dentro do ciclo, como Clarice Lispector disse de outro modo.

Rio bastante, estrondejo. Aliás, me contorço.

Certo que não é muito fácil ir além do nível primário de raciocínio dessa gente, é preciso cavar bem fundo, devo dizer. Ah, tá bom, nem todos conseguem.

Vitória, quinta-feira, 29 de dezembro de 2016.

GAVA.

ADRN e Psicologia

 

                            No livro Os Dragões do Éden, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1980, Carl Sagan coloca, p. 13, uma figura sem nome e número, no qual no eixo horizontal ou dos X põe o “número de bits de informação” e no eixo vertical ou dos Y a “época de aparecimento (anos atrás) ”.

                            De tal figura extrairei o quadro seguinte:

FORMA DE EVOLUÇÃO                                                                                        LIMITE EM BITS

Informação genética (nos pares de nucleotídeos de

ADN por célula haploide)                                                                                          1010

Informação cerebral                                                                                                   1013

Informação cultural extra somática humana (bibliotecas etc.)                            N.D.

 

                            O ADRN possibilita a construção do cérebro, que é a base sobre a qual as pessoas (indivíduos, famílias, grupos e empresas) criam nos ambientes (municípios/cidades, estados, nações e mundo) a informação-controle cultural. Veja que da informação genética à informação cerebral há um salto de mil vezes. Como os seres humanos somos cerca de seis bilhões e há todos os objetos e gravações (em papel, em fitas, em CD’s, de toda forma), naturalmente isso exponencializa ainda mais.

                            Ademais, porque o ser humano soube construir formas e conceitos, ou imagens e estruturas, formestruturas, incorporou a seu projeto os fungos, as plantas, os animais que trabalham para nós, isto é, bastante de todo o ADRN planetário (resta muito, ainda). De modo que todo o ADRN da Terra tem por fora uma capa psicológica que o envolve e explora, além de explorar a si mesma.

                            Entrementes, a base é uma só, é o mapa geral do ADRN, sobre o qual pode-se ou não construir. Agora, desejando construir, não há outro. Por assim dizer, usamos no enxerto da árvore de complexidades humanas o mesmo cavalo vegetal ou vital de sempre. A informação de base é a mesma.

                            Se formos criar algo de realmente diferente, devemos construir uma nova base. Só que não sabemos como fazê-lo, não só por não conhecermos a raiz como também porque não existe um segundo exemplo, algo de divergente que nos faça visualizar novos caminhos. Só temos um exemplo, nenhum outro. Só a Vida geral na Terra.

                            Não há como fazer variações psicológicas que destoem. São sempre aquelas que a base permite. Por exemplo, construindo sob gravidade não dá para estender muito as possibilidades dos arcos, como seria o caso no espaço com gravidade tendendo ao mínimo universal da radiação de fundo.

                            Você vê? Por mais que façamos vamos ser sempre Psicologia do ADRN terrestre, com as imitações inerentes. Um outro exemplo seria que, por não termos asas, nunca iremos realmente entender os pássaros, o que eles sentem em suas almas pequeninas do que seja voar, planar nos céus. Ou somos impulsionados em aviões ou vamos encapsulados em planadores, asas deltas, ultraleves. Não dá para saber o que o ar passando na pelagem, o sol, o frio ou calor, outras percepções proporcionam aos voadores. Só se o cérebro de um pássaro enviasse as sensações diretamente a um cérebro humano, fundidos os dois por qual processo tecnocientífico não se sabe. E, na medida em que liquidamos os animais, plantas e fungos, vamos perdendo para sempre a capacidade de sentir como eles, de ver como eles, de perceber como eles várias facetas deste mundo que nunca conheceremos do modo como eles conhecem.

                            Ou seja, por ser o ADRN de cada ser uma INSERÇÃO psicológica, uma janela de percepção, o ser humano não pode sair da sua, por mais vasta que seja. Embora agora a informação genética e a informação cerebral sejam os primos pobres da cultura universal humana, ainda há lá tudo o que não vemos, não cheiramos, não degustamos, não palpamos, não ouvimos de modo diferente.

                            Vitória, quinta-feira, 03 de outubro de 2002.

A Língua Mais Apta

 

                            Se, como vimos em A Língua como Alma, neste livro, a língua de cada nação é sua alma, no dizer de Nietszche, ENTÃO, como tudo evolui, se segue que a língua ou alma nacional também evolui, buscando deixar descendência no futuro - por assim dizer ela coloca seus ovos no presente para que eles sejam levados e depositados no futuro. Várias línguas morreram, foram incompetentes na luta pela sobrevivência da língua mais apta.

                            Na luta pela sobrevivência não tiveram competência para levar-se ao futuro. Deixaram seus esqueletos à margem da geo-história e nem sequer podemos visitá-las em museus.

                            Que tipo de luta é essa?

                            Não é natural, biológica/p.2, é psicológica/p.2, trava-se artificialmente dentro das pessoas que são portadoras dos vetores-palavras. O ciclo de reprodução é o da vida humana, cada uma delas, e o que lhe dá sustentação é a socioeconomia das pessoas (indivíduos, famílias, grupos, empresas) e dos ambientes (municípios/cidades, estados, nações e mundos). No nosso caso o que dá sustentação à língua ou alma portuguesa-brasileira é o Brasil e seus subconjuntos.

                            Assim sendo, a língua portuguesa-brasileira é tão forte quanto a S/E o é no Brasil e sobreviverá enquanto a S/E brasileira o fizer. Se a S/E brasileira se deixar dominar e subjugar, o mesmo estará acontecendo com a língua portuguesa no Brasil. Por quantas evoluções passou? Quantos saltos revolucionários deu? Quanto diferenciou da língua portuguesa em Portugal e no resto do mundo? Obviamente, com as incorporações das cores africana, indígena e até asiática ela mudou, não é mais “portuguesa pura”, ao contrário do que Houaiss dizia.

                            A língua também adquire as colorações regionais, de inserção continental, com os interesses locais e mundiais do país. Mas, embora vindo de uma raiz latina, a fala brasileira agregou feições africanas, americanas de origem, asiáticas, ou o fará no futuro, quanto termine ou diminua a segregação a tal ponto.

                            Enquanto alguém faz sua casa, compra seu carro, luta sua vida, sua língua-alma faz, compra, luta batalha diária que nunca cessa e agora se dá de fora para dentro e de dentro para fora em 170 milhões de habitantes-frentes de luta, no Brasil. Luta contra o dominante externo e o seu representante postiço interno, o subjugado convencido de que as almas estrangeiras são melhores.

                            Há primeiras-línguas, segundas-línguas, terceiras-línguas e quartas-línguas, como os mundos. Há almas apuradíssimas, com as mais avançadas tecnociências, e há almas atrasadíssimas, no limiar do desaparecimento.

                            Há gente que faz a profilaxia de sua alma, que cuida diariamente dela, que a venera, que a eleva a patamares de transcendência, e há gente que a trata com o maior descaso, desprezo, desdém, desrespeito, desconsideração. Há gente que vibra com sua alma, ao passo que há gente que se envergonha dela. Como base nessas células-pessoas e nessas células-ambientes a língua-alma vai prosperando ou definhando, até que nalguma linha de tempo estão apenas as línguas ou almas que sobreviveram aos desacertos dos falantes, de sua visão grandiosa ou mesquinha de vida.

                            Como disse Fernando Pessoa, tudo é grande quando a alma não é pequena; ou, ao contrário, tudo é pequeno quando a alma não é grande. Trocando alma por língua ou nação ou povelite, podemos fazer outras leituras. E daí entender que, quando a nação não é grande as chances de sua língua ou alma sobreviver são pequenas.

                            Vitória, quinta-feira, 03 de outubro de 2002.

A Língua como Alma

 

                            Nietszche disse que a língua é a alma de uma nação, do que podemos derivar muitas coisas.

                            Por exemplo, se é alma nacional é alma de cada estado, cada município/cidade, cada empresa, cada grupo, cada família e cada indivíduo. É alma de aglomerados urbanos gigantes, como a Grande São Paulo, ou de minúsculas cidades, como Rio Bananal, ES - e que grandes distâncias perceptivas mais separam que unem tais cidades, opostas antes que complementares!

É a mesma alma de negros e brancos, de mulheres e homens, de velhos e moços, de ricos e pobres. Não obstante ela não é com o mesmo favor composta dos vocábulos de origem negra-africana que de origem branca-européia. Então, para começar, é alma distorcida, ferida das impropriedades da segregação. Da segregação geral: das raças, das idades, dos sexos, das riquezas.

                            Se é alma é alma humana, de psicologia humana, comportando figuras ou psicanálises humanas, objetivos ou psico-sínteses humanos, produções ou economias humanas, organizações ou sociologias humanas, espaçotempos ou geo-histórias humanas. Sendo tal, comporta as doenças ou deslocações-de-média humanas. Vê como a humanidade vê, sente como a humanidade sente, pensa como a humanidade pensa. É humana para os erros e os acertos. Não vê fora da janela humana de visão, não percebe fora do quadro humano de percepção. Exclui coisas, que se tornam então imperceptíveis. Na Economia particiona-se como alma agropecuária/extrativista, como alma industrial, como alma comercial, como alma de serviços, como alma bancária.

                            Por ser alma geo-histórica, evolui, revolui, re-evolui; avança, dá saltos, re-avança. Segue os trâmites geo-históricos: foi alma ou língua escravista, foi alma ou língua feudalista, é alma ou língua de terceira onda capitalista.

                            Possui dimensões que o Conhecimento lhe empresta: alma mágica/artística, alma teológica/religiosa, alma filosófica/ideológica, alma científica/técnica e alma matemática.

                            É alma das 6,5 mil profissões. Da costureira, do varredor de rua, do engenheiro mecatrônico, do escritor.

                            É alma com 215 mil retalhos-palavras que constam no Houaiss, servindo desde a mais fina elaboração até a mais rude delas, dentro do mesmo corpomente nacional. É alma maltratada pela sobreposição de vocábulos ou almas estrangeiras, dominada, diminuída, enxovalhada. É alma retalhada, como uma alma-de-retalhos. É alma nobre em potência e vil na realidade, como a portuguesa no Brasil. É alma suja, enegrecida dos desleixos, abandonada, de gente que se julga inferior. Assume as colorações que a força ou fraqueza dos viventes do tempolugar lhe emprestam. No caso brasileiro é alma chinfrim, de acovardados.

                            Vitória, quinta-feira, 03 de outubro de 2002.

A Escola de Filosofia

 

                            No livro de Giovanni Reale e Dario Antiseri, História da Filosofia, vol. II, São Paulo, Paulinas, 1990, p. 857, ao falar de Caetano Filangieri (napolitano, 1752 a 1788, 36 anos entre datas), os autores colocam: “Caetano Filangieri: as leis, racionais e universais, devem se adaptar ‘ao estado da nação que as recebe’”, e é quanto basta para falarmos de escolas de Filosofia e, aliás, de tudo.

                            O Conhecimento alto (Magia, Teologia, Filosofia e Ciência), o Conhecimento baixo (Arte, Religião, Ideologia e Técnica) e a Matemática deveriam ser assim. Através de Filangieri: 1) ensinar leis racionais e universais; 2) adaptados ao estado da nação que os recebe.

                            Isso quer dizer que a filosofia da Escola de Filosofia Brasileira deveria ser FILOSOFIA BRASILEIRA, isto é adaptada ao estado brasileiro que a recebe, assim como os outros modos de conhecimento todos. Como os brasileiros são negros vindos da África, brancos vindos da Europa, vermelhos que já estavam aqui e amarelos vindos da Ásia, a Filosofia Brasileira deveria ser negra/branca/vermelha/amarela. Pela estatística, deveria ser 50 % branca, 6 % negra e 44 % mestiça, o que não é, é predominantemente interessada na Europa.

Deveria estudar as cinco regiões (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste). Cuidar de investigar as cinco classes do labor (operários, intelectuais, financistas, militares e burocratas) e não a uma ou duas.

                            Em resumo: QUAIS SÃO AS CONDIÇÕES DO BRASIL?            Quais são as condições do ES? Quais são as condições de Vitória? As do Brasil, do ES, de Vitória são de 20 % de ricos e médios-altos e 80 % de pobres e miseráveis; então, só por coerência, deveria estudar preferencialmente, na base de 4/1, os problemas e as soluções propostas para os pobres e miseráveis. As condições do Brasil são as do primeiro e as do segundo mundos? Se não são, porque só estudamos a eles?

Como estamos com a maior parte de nosso território entre o Equador e o Trópico de Capricórnio, que passa sobre São Paulo (23,5º S), somos tropicais, e deveríamos ter uma FILOSOFIA TROPICAL e uma ESCOLA DE FILOSOFIA TROPICAL, o que não temos.

Como temos favelas, se 80 % ou mais das residências não têm rede de saneamento de esgoto, e uma quantidade indeterminada delas não possui água tratada, se o atendimento hospitalar é ruim, se a saúde é periclitante, se as condições de vida são horríveis, nossa filosofia deveria refletir tudo isso e refletir sobre tudo isso, o que não faz, envergonha-se de fazer.

Se a mídia daqui mira só o estrangeiro, a filosofia daqui deveria investigar a questão; se copiamos tudo que vem de fora, idem.

Pois o termo filo-sofia quer dizer, em grego, GOSTAR-DE-SABER, e todos gostamos (ou gostaríamos, se deixassem) de saber mais sobre tudo. Gostaríamos de investigar, se as lideranças, os políticos, os governantes se voltassem para tal. Não se voltam, porque têm vergonha de nós, porque têm vergonha de si mesmos.

Assim sendo, se a Filosofia em geral deve ser adaptar ao estado da nação que a recebe, e a filosofia brasileira deve se adaptar ao estado do Brasil atual e futuro, então a Escola de Filosofia Brasileira deve propor, deve ensinar, deve investigar a fundo essa CONDIÇÃO DE SER brasileiro e essa CONDIÇÃO DE ESTAR brasileiro.

A Filosofia é universal, mas a filosofia brasileira é, por definição, brasileira. Não adianta nada dizer-se pluralista e cosmopolita sem ser também nacional, estadual, municipal/urbano. Não nos impede de sermos cidadãos do planeta sermos brasileiros, capixabas, linharenses. Quem não assume sua fração não está assumindo seu todo sem alienação. A Escola de Filosofia tanto deve ser local quanto universal.

Filangieri foi ao ponto certo.
Vitória, sexta-feira, 04 de outubro de 2002.