Perdendo a Humanidade
Alguém manifestou
receio de estarmos perdendo nossa humanidade. De fato – isso começou quando o
primeiro par sapiens homulher teve o primeiro filho, o que passou nas PESSOAS
(indivíduos, famílias, grupos e empresas) além da família a escalar a
mesopirâmide, completada depois em AMBIENTES (municípios/cidades, estados,
nações e mundo). À medida que avançamos, quanto mais o nosso poder cresce tanto
mais próximos estamos do fim, tanto mais próximos do salto seguinte, da segunda
para a terceira natureza.
É um anúncio
curioso: quanto mais perto estamos do auge do nosso poder mais perto nos
situamos de terminar a humanidade. Quanto mais adquirimos humanidade mais a
perdemos, o que é dialético, do TAO e do modelo. As duas coisas acontecem ao
mesmo tempo, ainda que não no mesmo sentido. Porque, se é certo que a
humanidade terminará é certo também que haverá um salto para além-do-humano,
muito além, com ainda mais rápida exponencialização. Quando nasçam os
seres-novos a humanidade terá sido deixada para trás e novo período de
acumulação se iniciará. Os seres humanos não serão mortos por robôs
enfurecidos, nem nada; apenas irão aos poucos deixando de ser fabricados,
substituídos por mensagem muito mais útil, poderosa, avançada, coerente, capaz,
como um liquidificador que fosse substituído por outro de modelo mais recente e
adequado, de maior rendimento, de menor gasto de materenergia.
É como um país que
se torne mais e mais poderoso, caminhando para o topo, onde começará a
apodrecer e a caducar; sabemos que foi dobrada a curva quando começamos a
sonhar com o passado e não com o futuro, como pessoa que fica velha e
rememorativa.
De fato, estamos
perdendo nossa humanidade, mas isso não é um anúncio ruim, pelo contrário, é
alvissareiro, é uma delícia, porque grandes porcarias fez a humanidade – a par
de algumas coisas excelentes, merecedoras de muitos aplausos.
Vitória,
segunda-feira, 15 de dezembro de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário