terça-feira, 18 de abril de 2017


Perdendo a Humanidade

                            Alguém manifestou receio de estarmos perdendo nossa humanidade. De fato – isso começou quando o primeiro par sapiens homulher teve o primeiro filho, o que passou nas PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) além da família a escalar a mesopirâmide, completada depois em AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo). À medida que avançamos, quanto mais o nosso poder cresce tanto mais próximos estamos do fim, tanto mais próximos do salto seguinte, da segunda para a terceira natureza.

                            É um anúncio curioso: quanto mais perto estamos do auge do nosso poder mais perto nos situamos de terminar a humanidade. Quanto mais adquirimos humanidade mais a perdemos, o que é dialético, do TAO e do modelo. As duas coisas acontecem ao mesmo tempo, ainda que não no mesmo sentido. Porque, se é certo que a humanidade terminará é certo também que haverá um salto para além-do-humano, muito além, com ainda mais rápida exponencialização. Quando nasçam os seres-novos a humanidade terá sido deixada para trás e novo período de acumulação se iniciará. Os seres humanos não serão mortos por robôs enfurecidos, nem nada; apenas irão aos poucos deixando de ser fabricados, substituídos por mensagem muito mais útil, poderosa, avançada, coerente, capaz, como um liquidificador que fosse substituído por outro de modelo mais recente e adequado, de maior rendimento, de menor gasto de materenergia.

                            É como um país que se torne mais e mais poderoso, caminhando para o topo, onde começará a apodrecer e a caducar; sabemos que foi dobrada a curva quando começamos a sonhar com o passado e não com o futuro, como pessoa que fica velha e rememorativa.

                            De fato, estamos perdendo nossa humanidade, mas isso não é um anúncio ruim, pelo contrário, é alvissareiro, é uma delícia, porque grandes porcarias fez a humanidade – a par de algumas coisas excelentes, merecedoras de muitos aplausos.
                            Vitória, segunda-feira, 15 de dezembro de 2003.

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