terça-feira, 18 de abril de 2017


O Carrinho do Gari

 

                            Já disse em outras palavras que enquanto o gari não for respeitado este mundo será fraco e divisível, pois os lixeiros são o elo fraco da corrente que se quebra justamente ali – está se quebrando todos os dias em todas as partes do mundo, menos naquelas onde os garis tenham carrinhos desenhados como vou dizer: com assento almofadado, com tapagem para proteger do sol (calor) e do Sol (luz), com depósito para água gelada, com ar condicionado até. Que possa aspirar o lixo sem que ele necessite varrer nem se abaixar constantemente, porque o gari também é Deus, como disse Jesus: "o que fizerdes ao menor dos meus menores é a mim mesmo que o fazeis" (para o bem e para o mal); e: "não fazeis aos outros o que não quereis que vos façam".

                            Porque sou eu que estou lá, é você, é cada um dos seres humanos; e se os garis estão sendo maltratados é a humanidade toda que está. Se não são inventadas soluções para incorporar o menor de todos, os grandes não serão bastante grandes. Se não for elevado o povo quem está acima (lideranças, profissionais, pesquisadores, estadistas, santos/sábios e iluminados) não pode ir muito alto, porque a pirâmide se achata. Quem dos profissionais formados em universidade iria varrer diariamente quilômetros e quilômetros de ruas no sol quentíssimo? Quem iria trabalhar por aqueles salários de fome? Enquanto os que estão embaixo não forem elevados é porque a sociedade/civilização/cultura do povelite/nação não foi bastante longe na solução de problemas. Uma sociedade que trata com tanto desprezo, colocando-os na mais baixa posição de serviço, não pode ir muito longe nem pela lei dos homens nem pela lei de Deus.

                            Assim sendo, o carrinho deve ser alegre, colorido ou pintado, festivo, com depósito atrás, com automatismos que desprendam os sacos cheios para serem recolhidos por outro caminhão, com computação embarcada, com telefone, com tudo que qualquer um de nós gostaria de ter lá. Menos do que a satisfação é patifaria.

                            Vitória, segunda-feira, 15 de dezembro de 2003.

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