O Jardim das Fêmeas
Quando as cavernas
que nossos antepassados habitaram são mostradas pelos paleontólogos, elas são
sempre vistas despojadas, vazias de tudo dentro e fora, ao passo que devemos
pensar terem sido habitadas por milhões de anos pelos pré-hominídeos e por 100,
50 ou 35 mil anos pelos sapiens. Quem pode ficar na mesma casa por milhões de
anos sem enfeitá-la? Vimos que por mais iguais que fossem na origem as casas de
pombos do BNH (extinto Banco Nacional da Habitação) elas logo se tornavam diferentes
e até muito distintas, nos dois sentidos; o universo está sujeito a mudanças e
os seres humanos mais ainda, de forma que as alterações logo surgem. E assim
terá sido com todas e cada uma das cavernas, adquirindo com os sucessivos
moradores muitas feições que os identificavam. Cada caverna terá tido sua marca
distintiva.
É fatal que as
fêmeas, com seu pensamento circular, cíclico, determinado, ficando sempre no
mesmo lugar, palmilhando-o e conhecendo-o a fundo, quisessem implantar
novidades que renovassem o ambiente; devem ter necessariamente enfeitado as
cavernas com plantas, flores, objetos, panos quando estes já existiam, árvores
frutíferas, jardins, todo tipo de coisa. Em especial devem ter criado os
jardins (não faz sentido os homens caçadores criarem jardins, se não permaneciam
muito tempo no mesmo lugar; mas podem ter trazido espécimes de lugares
distantes).
Assim, três coisas:
1) as mulheres, treinadas pelos hormônios durante milhões de anos serão as
melhores jardineiras (mas não necessariamente criativas); 2) toda casa
(caverna) deve ter diante dela um jardim; 3) as mulheres devem poder participar
como forma de terapia de cursos de jardinagem dados pelas prefeituras e devem
poder cuidar de jardins de suas casas e dos prédios de apartamentos.
Cuidar de jardins as
apaziguará, mesmo aquelas contemporanizadas que têm empregos fora do lar, mesmo
as intelectualizadas, as tecnocientistas e outras pesquisadoras, pois OS
EXIGENTES VENENOS QUÍMICOS estão lá dentro, operando dia após dia. Se elas não
cuidarem de jardins adoecerão. Na realidade estes anos todos as que não fizeram
isso adoeceram e têm dentro de si grandes feridas da ausência.
Vitória, domingo, 14
de dezembro de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário