Loboy
e a Vampatricinha
Como se diz, eles foram “feitos um
para a outra” e vice-versa o contrário-complementar, esquerda e direita, eram
um só copo, não bebiam em dois copos, tão aproximadinhos eles eram.
A Vampatricinha era a
vampira-patricinha, toda cheia de nhem-nhem-nhem, toda arrumadinha, comprava na
loja daquela menina sonegadora, a Marie-Lu, todas as peças DASLU, não dizia Da
Lu, era afetada demais, gente. Ele era o Loboy, lobo-boy, boy é rapaz em
inglês, jovem lobo, Lobinho se vocês não sabem das línguas dos estranja. Ele
tava na muda, vivia soltando pelo, aquela cabelada horrorosa.
Era que nem aquele grupo inglês, o
Rometa e a Julieu, o autor americano trocou o nome para Romeu e Julieta, que
tipos de nomes são esses?
O Loboy andava de lambreta, a
Vampatricinha na garupa, grudada literalmente nele, tentando chupar o sangue do
pescoço, mas a pele era dura demais, cheia de cabelo, ela vivia cuspindo, ptui,
ptui, ptui.
Foram convidados a fazer filme
americano, ele no papel de filho que vai para a universidade jogar no time de
futebol americano, ela como líder de torcida, toda cheia de nhem, nhem, nhem,
ela dava uns saltos mortais no ar, as moças tentavam imitar, caíam, se
machucavam com fraturas expostas, ela se oferecia para chupar o sangue, o Loboy
segurava ela pelo pescoço, ela “tá doendo, amor”, ele “quer que eu aperte
mais?”, ela, toda melosa, “quero”, ele “aqui não, temos compromisso com a
seriedade e a compostura”, ela ficava amuada, vê se pode.
Na realidade, os clãs tinham uma
política de colocar um lobo adolescente com uma vampiradinha (ou vice-versa),
para eles se equilibrarem.
No final do ano eles convidavam parte
da turma para ir ao interior do mato, na catinga, no cerrado, os pais de um e
os pais de outra telefonavam para os pais de cada qual para autenticar. Era uma
festa. Quando eles e elas não voltavam é que era dureza explicar, mas os carros
pegavam fogo na volta, etc.
Serra, sexta-feira, 26 de dezembro de
2014.
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