quinta-feira, 20 de outubro de 2016


Loboy e a Vampatricinha

 

Como se diz, eles foram “feitos um para a outra” e vice-versa o contrário-complementar, esquerda e direita, eram um só copo, não bebiam em dois copos, tão aproximadinhos eles eram.

A Vampatricinha era a vampira-patricinha, toda cheia de nhem-nhem-nhem, toda arrumadinha, comprava na loja daquela menina sonegadora, a Marie-Lu, todas as peças DASLU, não dizia Da Lu, era afetada demais, gente. Ele era o Loboy, lobo-boy, boy é rapaz em inglês, jovem lobo, Lobinho se vocês não sabem das línguas dos estranja. Ele tava na muda, vivia soltando pelo, aquela cabelada horrorosa.

Era que nem aquele grupo inglês, o Rometa e a Julieu, o autor americano trocou o nome para Romeu e Julieta, que tipos de nomes são esses?

O Loboy andava de lambreta, a Vampatricinha na garupa, grudada literalmente nele, tentando chupar o sangue do pescoço, mas a pele era dura demais, cheia de cabelo, ela vivia cuspindo, ptui, ptui, ptui.

Foram convidados a fazer filme americano, ele no papel de filho que vai para a universidade jogar no time de futebol americano, ela como líder de torcida, toda cheia de nhem, nhem, nhem, ela dava uns saltos mortais no ar, as moças tentavam imitar, caíam, se machucavam com fraturas expostas, ela se oferecia para chupar o sangue, o Loboy segurava ela pelo pescoço, ela “tá doendo, amor”, ele “quer que eu aperte mais?”, ela, toda melosa, “quero”, ele “aqui não, temos compromisso com a seriedade e a compostura”, ela ficava amuada, vê se pode.

Na realidade, os clãs tinham uma política de colocar um lobo adolescente com uma vampiradinha (ou vice-versa), para eles se equilibrarem.

No final do ano eles convidavam parte da turma para ir ao interior do mato, na catinga, no cerrado, os pais de um e os pais de outra telefonavam para os pais de cada qual para autenticar. Era uma festa. Quando eles e elas não voltavam é que era dureza explicar, mas os carros pegavam fogo na volta, etc.

Serra, sexta-feira, 26 de dezembro de 2014.

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