O Robert: De Volta e
Lá Outra Vez
O Robert era que nem coelho, morava
numa toca.
No Beco da Truta.
Teve uma ventura esperada.
Esperada modo de dizer, porque a
pessoa joga e acredita-desacreditando. Tem esperança. Mínima, é verdade, aquela
esperançazinha miudinha, insignificante, fica torcendo os dedos, faz figa,
reza, pede pra Deus, começa a ajudar as pessoas pra ver se Deus presta atenção
nele, mas é tudo falso, tudo trapaça, ajuda querendo retorno.
Jogou o mínimo minimorum, um tiquinho.
Não é que ganhou?
Ganhou.
Filho da puta, podia ter sido eu. Caralho.
Não vai saber guardar, vai perder tudo, vai aplicar mal, vai se dar muito mal,
o sacana. Não que eu deseje o mal pros outros, claro que não.
Ganhou.
Ganhou sozinho.
Boladão.
Vai ter sorte assim na puta que o
pariu.
Fazer o quê, né?
Botou a mão na grana, e sozinho ainda
por cima, o calhorda.
Todo mundo ficou sabendo, ele se
pirulitou, pocou fora, carcou no trecho, moitou, foi pras brenha. Não que o
pessoal não tenha procurado pra se mostrar solidário, fazer umas festas (com
ele pagando, lógico, quem tem põe e quem não tem tira). Infelizmente não
pudemos dar “aquele abraço” e tirar nada dele.
Aplicou tudinho, aconselhado pelos
gerentes dos bancos (que estavam de olho na grana dele, cada qual mais amoroso,
quando ele tava na merda nem olhavam) comprou fazendas, comprou pousadas,
colocou concessionárias, comprou ações, comprou um iate, não sobrou quase nada
e virou pão-duro, o filho de uma égua, saía de banda, driblava a gente.
Agora era administrador dos bens,
especulador, financista, ia sempre à Caixinha e voltava, ia e voltava, ia e
voltava se pavoneando, de volta e lá outra vez, conferindo as fitas do caixa
eletrônico com aqueles zoião comprido. Orgulhoso, mudou prum apartamentão lá na
Enseada do Suá, 250 m2, nunca chamou ninguém, aquela égua.
Um dia a gente te pega.
Só pra implicar e lembrar os tempos
ruins dele a gente chama ele de Robert Coelho, Robert, o Habbit, por causa do
nome americano dele. Safado.
Serra, quinta-feira, 08 de agosto de
2013.
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