Morcegomem e Rubim
Dois idiotas, por sinal amigos nossos
- não vou dizer os nomes para não embaraçar - inventaram essa merda de imitar
americano, contudo não puderam colocar os nomes estrangeiros, traduziram, ficou
assim.
Bom, o Morcegomem era maiorzinho, 1,75
m, mas o Rubim era menor, 1,60 m, estourando 1,65, né, Filó?
- É, estourando.
Obrigaram as mulheres a fazerem
aquelas roupas ridículas e a gente ficava dizendo: “cês vão torrar, seus
trouxas, num calorão brasileiro tropical desses! Lá é frio, seus cavalos, e
eles saem de noite”. Não teve jeito. Cada amizade que a gente arranja, é de dar
pinicação no corpo, viramos os zóios e deixamos ir. Vai, vai, suas crias do
cão.
Foram.
Inventaram umas cordas com gancho,
subiam no telhado, jogavam no prédio vizinho, pulavam, não calculavam direito a
curva, batiam direto nas paredes, escorregavam quiném em filme, depois
despencavam, ficaram vários meses engessados e ainda por cima tendo de
trabalhar. Dureza.
Iam de tardinha, de noitinha, se
borravam todos dos bandidos.
Se tiver medo de enfrentar, pra quê se
oferecer?
A gente pensava que eles iam
consertar, qual o quê!
Compraram um carro velho, o
Morcegarro, e moitaram numa caverna que tem aqui, a Morcegaverna, cheia de
morcegos, uma vez fui lá, acho que tinha pra mais de 50 mil. Acharam de
espantar os morcegos, foi a conta de começar uma gritaria tremenda dos
ecologistas da região, deu até no Jornal Nasceumal.
As crianças deles viraram as costas,
os coleguinhas gozavam na escola, acho que foi isso; as mulheres ameaçaram
divorciar, foi um Deus-nos-acuda. O cinto de utilidades deles só tinha bandaid,
esparadrapo, Rifocina, remédio para contusão, tala e coisas assim. Era tanta
coisa que formava um pneu em cada um, projetava pros lados um tanto assim, ó.
UMA VEZ SÓ que pegaram os bandidos.
Bem, na realidade, os bandidos que pegaram eles, desceram a porrada, fiquei com
pena, foi arrasador, avassalador, devastador. Mais seis meses engessados e
enfaixados, não sei como justificavam no serviço.
Doutra vez foi a polícia que pegou
eles, achou que eram ladrões, até explicar que focinho de porco não é tomada...
Tiveram de pagar fiança, foi um vexame danado, o bairro todo ficou sabendo, não
podiam sair na rua. Até as crianças gozavam, que constrangimento.
Tem gente que quer imitar, né? Imita e
fica ridículo.
Serra, quarta-feira, 24 de julho de
2013.
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