Loja
SM II
Aquela loja de antes decidiu
aproveitar a alta frequência (com os distúrbios de sempre, os comandantes
militares achavam que podiam curar certas tendências das tropas enviando-as
para patrulhar o local) para ganhar alguns trocados, os doidonos decidiram
ganhar mais dinheiro colocando ao lado uma loja de psicologia-bar, servindo
bebidas nas mesas que tomavam duas calçadas, com três pessoas por mesa, sempre sádico
(a), masoquista e moderador, que era justamente o (a) psicólogo (a).
TÍPICO
DIÁLOGO DE TRÊS
MASOQUISTA (implicando com o sádico
para ver se levava tapa na mão) – ei, cê tá doidinho para me bater, né?
SÁDICO – sai pra lá, seu escroto.
MASOQUISTA – adorei essa rejeição.
PSICÓLOGA – gente, vocês já
transgrediram.
MASÔ – você vai me castigar, lindinha?
SADÔ – não faz isso, ele vai ficar
ouriçado, vai ficar insuportável.
MASÔ – sou mesmo, não sou? (Abriu os
braços). Eu sou eu, eu sou mais eu, eu sou demais.
SADÔ (ameaçando levantar) – tenho que
sair daqui, tenho que sair daqui, senão vou bater nesse corno.
MASÔ – bate, se faz favor.
PSICÔ – não provoca, você vai
desestabilizar ele.
SADÔ – se eu ficar puto mesmo, bato
até em você.
PSICÔ – em mim, não, meu marido tá ali
(aponta, três mesas adiante têm um brutamontes, um gigante, é impossível aquele
cada ter nascido, nenhum canal traria ele).
MASÔ – ele é psicólogo, também?
PSICÔ – não, é sádico, bate forte.
MASÔ – você por acaso é da turma?
PSICÔ – sou e não sou, eu mesmo me
tratei.
SADÔ – tô com vontade de bater em
alguém.
MASÔ – tô aqui para te socorrer,
coisinha, bate, bate, bate forte, tenho o couro duro, se bater levinho vai ser
só uma carícia.
SADÔ – sai pra lá, sua fror, seu
porqueira.
MASÔ – palavras também agridem, sabia?
Eu gostio tanto!
PSICÔ – não me façam chamar meu
marido.
SADÔ – não chama, não, detesto
apanhar.
MASÔ – chama sim, chama sim, eu recebo
pelos dois.
PSICÔ – SILÊNCIO, os dois. SE eu
chamar ele vai trazer a masoquista que tá com ele, ela é melosa pra caramba,
vamos fazer dois pares, SS e MM, vai ser legal.
OS DOIS – não, não, a gente se
comporta.
Serra, terça-feira, 30 de dezembro de
2014.
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