segunda-feira, 24 de outubro de 2016


Carai e Bocei

 

Acho que na hora de encarnar algum anjo bondoso me disse: “não vai pra lá, não, pega outro lugar e outro tempo, tem MUITOS desocupados, vá para uma ilha dos Mares do Sul, ensolarada, pessoas boas, agora tem todo conforto, vá para uma mais altinha para evitar o alagamento”.

Mas não, tinha de ser Brasil e agora, AGORA.

Não é possível, alguém deve ter me avisado.

Não vai, não vai.

Eu vim.

Pôrra, cara, assim não dá.

Em vez de dizer caralho eles dizem caraca (as mulheres são fãs disso, dizem a torto e a direito), que é a mesma coisa, parece educado, falam assim na bucha, na frente das crianças, que repetem também, as jovens mocinhas, chego a ficar arrepiado. Não podem falar caralho, que seria falta de educação, dizem caraca, que é falta de educação e estupidez.

E dizem carai, assim mesmo, carai, é a forma reduzida, a abreviação, significando caralho mesmo. Carai. Ai, carai. Ai, meu carai. Desse jeito, sem tirar nem por.

Por acaso se eu disser bocei vai ser diferente de boceta?

Que por sinal significa uma bolsa pequena.

Acho que o mundo está endoidando. Acho, não, está mesmo, definitivamente está, nada me tira da cabeça que está.

Aliás, cabei.

Acabei.

Serra, terça-feira, 26 de janeiro de 2016.

GAVA.

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