Você Quer Ter um
Pênis Grande?
Entrava nos sites de mulheres peladas e via
isso insistentemente, anos e anos, até que começou a pensar: até que faz
sentido, é músculo, com exercício pode ser que sim, dizem que na realidade as
mulheres não fazem questão, senão não haveria japonês, aliás, só africano,
dentre estes os grandes africanos, e tal. Estaríamos quase todos extintos. Ademais,
aquelas mulheres musculosas e supermusculosas tem clitóris grandes, exatamente!
Porque é músculo. Deve dilatar com os exercícios.
Clicou: SIM.
Não demorou nem uma semana apareceu um cara
na porta, tocou a companhia, ele foi atender: que é?
RAPAZ MAGRO-MUSCULOSO – é daqui que
encomendaram um pênis grande?
DONO (envergonhado, mesmo sendo homem) – foi
sim. Eu pensava que os Correios é que iriam entregar numa daquelas caixas sem
identificação ou de firma laranja, nome fictício.
RAPAZ MAGRO-MUSCULOSO – prazer, meu nome é
Geraldo.
DONO (apertaram as mãos) – prazer, João.
GERALDO – não, tá comigo.
JOÃO – cadê?
GERALDO – posso entrar?
JOÃO (constrangido) – pode, né?
GERALDO (entrando, depois que João fechou a
porta arriando as calças e mostrando) – tá aqui.
JOÃO (assustado nos dois sentidos, com a
liberdade e com o tamanho da coisa) – que é isso, enlouqueceu?
GERALDO – não, de jeito nenhum, o senhor não
pediu pênis grande?
JOÃO (querendo cortar o barato) – pedi, mas de
jeito nenhum seria isso.
GERALDO – pediu, entregamos.
JOÃO (tentando sair do embaraço) – não, não,
pode voltar.
GERALDO – não posso, aí é que não posso
mesmo, nós temos um nome a zelar, o senhor pediu, nós entregamos, não aceitamos
devolução do dinheiro nem da mercadoria.
JOÃO – vou chamar a polícia.
GERALDO – pode chamar, mas esse aqui é seu
pedido? Aqui está o cartão do nosso advogado.
JOÃO – não quero devolução, só quero que o
senhor vá embora. Aliás, pago em dobro.
GERALDO – de jeito nenhum, já disse que não
aceitamos devolução! Onde fica minha cama?
João bem que tentou colocar o cara pra fora,
mas não conseguiu arrastá-lo, bem parrudo mesmo. Depois justificou que tinha
contratado um segurança, nesses tempos, né?
O Geraldo se aboletou, pediu matrícula numa
academia perto, comia feito um doqueiro, só andava de cueca pela casa, exceto
quando a empregada estava (ele pediu pra ela ficar mais, pagou a mais, uma hora
ela tinha que ir, né?; também tentou ficar mais tempo no serviço, o chefe
estranhou), fazia festa pros amigos e amigas, tornou-se dono da casa, quando o
João reclamava ele colocava a mão no bastão.
João, tadinho, teve que ficar na dele.
Por sinal, dormia de porta fechada e com uma
cadeira escorando por dentro, levava água e comida por quarto, virou um poço de
insegurança, uma pilha de nervos.
Passou o tempo, até ele ver na Internet:
damos assessoria advocatícia, atenção permanente, todo tipo de problema,
assistência diária. Se deseja nossos serviços clique na opção: SIM.
Quatro dias depois apareceu um advogado.
ADVOGADO (com maleta pouco maior que uma frasqueira)
– é aqui que mora o senhor João?
JOÃO – sim, sou eu (quando olhou pra maleta
entendeu tudo, mas mesmo assim perguntou). Pouca roupa, né?
Serra, quinta-feira, 25 de dezembro de 2014.
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