sábado, 22 de outubro de 2016


Você Quer Ter um Pênis Grande?

 

Entrava nos sites de mulheres peladas e via isso insistentemente, anos e anos, até que começou a pensar: até que faz sentido, é músculo, com exercício pode ser que sim, dizem que na realidade as mulheres não fazem questão, senão não haveria japonês, aliás, só africano, dentre estes os grandes africanos, e tal. Estaríamos quase todos extintos. Ademais, aquelas mulheres musculosas e supermusculosas tem clitóris grandes, exatamente! Porque é músculo. Deve dilatar com os exercícios.

Clicou: SIM.

Não demorou nem uma semana apareceu um cara na porta, tocou a companhia, ele foi atender: que é?

RAPAZ MAGRO-MUSCULOSO – é daqui que encomendaram um pênis grande?

DONO (envergonhado, mesmo sendo homem) – foi sim. Eu pensava que os Correios é que iriam entregar numa daquelas caixas sem identificação ou de firma laranja, nome fictício.

RAPAZ MAGRO-MUSCULOSO – prazer, meu nome é Geraldo.

DONO (apertaram as mãos) – prazer, João.

GERALDO – não, tá comigo.

JOÃO – cadê?

GERALDO – posso entrar?

JOÃO (constrangido) – pode, né?

GERALDO (entrando, depois que João fechou a porta arriando as calças e mostrando) – tá aqui.

JOÃO (assustado nos dois sentidos, com a liberdade e com o tamanho da coisa) – que é isso, enlouqueceu?

GERALDO – não, de jeito nenhum, o senhor não pediu pênis grande?

JOÃO (querendo cortar o barato) – pedi, mas de jeito nenhum seria isso.

GERALDO – pediu, entregamos.

JOÃO (tentando sair do embaraço) – não, não, pode voltar.

GERALDO – não posso, aí é que não posso mesmo, nós temos um nome a zelar, o senhor pediu, nós entregamos, não aceitamos devolução do dinheiro nem da mercadoria.

JOÃO – vou chamar a polícia.

GERALDO – pode chamar, mas esse aqui é seu pedido? Aqui está o cartão do nosso advogado.

JOÃO – não quero devolução, só quero que o senhor vá embora. Aliás, pago em dobro.

GERALDO – de jeito nenhum, já disse que não aceitamos devolução! Onde fica minha cama?

João bem que tentou colocar o cara pra fora, mas não conseguiu arrastá-lo, bem parrudo mesmo. Depois justificou que tinha contratado um segurança, nesses tempos, né?

O Geraldo se aboletou, pediu matrícula numa academia perto, comia feito um doqueiro, só andava de cueca pela casa, exceto quando a empregada estava (ele pediu pra ela ficar mais, pagou a mais, uma hora ela tinha que ir, né?; também tentou ficar mais tempo no serviço, o chefe estranhou), fazia festa pros amigos e amigas, tornou-se dono da casa, quando o João reclamava ele colocava a mão no bastão.

João, tadinho, teve que ficar na dele.

Por sinal, dormia de porta fechada e com uma cadeira escorando por dentro, levava água e comida por quarto, virou um poço de insegurança, uma pilha de nervos.

Passou o tempo, até ele ver na Internet: damos assessoria advocatícia, atenção permanente, todo tipo de problema, assistência diária. Se deseja nossos serviços clique na opção: SIM.

Quatro dias depois apareceu um advogado.

ADVOGADO (com maleta pouco maior que uma frasqueira) – é aqui que mora o senhor João?

JOÃO – sim, sou eu (quando olhou pra maleta entendeu tudo, mas mesmo assim perguntou). Pouca roupa, né?

Serra, quinta-feira, 25 de dezembro de 2014.

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