Gente
Pequena da América
Algum daqueles americanos (eles têm
mais de 300 milhões de habitantes, muitos dos quais competentes e até
extremamente competentes) capazes de fazer literalmente de tudo voltou-se para
o que eles chamam de Gente Pequena, os anões e as anãs. Como tudo por lá, a
condição deles passou pela advocacia, pela Justiça, pela Constituição (que lá
eles respeitam, ao contrário de no Brasil) e eles tiveram ganhos desconhecidos
no resto do mundo. Ganharam respeito constitucional.
Esse audacioso decidiu fazer um
levantamento exaustivo de toda GPA, Gente Pequena da América pela qual tinha a
maior consideração, em razão não somente da condição dela em tamanho menor
enfrentar a vida, mas de seu esforço tão maior de sobrevivência, luta
não-valorizada, pelo contrário, contava sempre com a desconsideração dos bobos.
Ficou conhecido, ficou conhecidíssimo.
Por um lado, a GPA toda ficou
agradecida não tanto por ele abordar, como pela sensibilidade real da
abordagem. E ela faz propaganda à boca miúda, falando baixinho e indo longe.
Por outro lado, todos os que simpatizavam falaram mais ainda. Ele foi convidado
por inúmeras redes de TV, por toda a mídia, foi sucesso instantâneo, tremendo
mesmo.
Naturalmente, tudo é onda, o que sobe
desce, o sucesso declinou, ele já estava acostumado, sempre passava um, “oi, fulano”,
“grande jogada”, “aí, manalto (mano alto) ”, adulação que foi rareando até
ficar como um fiapo de água, um córrego, um riozinho de satisfação.
Até que um amigo sugeriu: “por que
você não aproveita o duplo sentido e fala da ‘gente grande’ da América (EUA) ”?
Ele entendeu, foi um estalo.
“Entendi”.
E o outro: “aproveita, fala logo de
toda a ‘gente grande’ das Américas, México (cartel de Medellín), Colômbia,
Venezuela, Brasil, Argentina, Cuba e o resto todo da curriola”.
“Entendi, entendi”, ele vibrava.
Esqueceu que a ‘gente pequena’ das
Américas é diferente da ‘gente pequena’ dos EUA, sujeita à lei. Depois da
publicação não durou nem duas semanas, o corpo nem apareceu, sequer aos
pedaços, só os documentos de identidade foram recebidos nas redações, que (nos
EUA) deram grande e indignada cobertura.
O governo mandou o FBI investigar
internamente e a CIA externamente, mas eles não foram muito eficazes, até
porque os nomes de certos diretores constavam das denúncias – poderia parecer
perseguição.
A muito admirável GPA ficou
tristíssima, já não há quem a defenda, coisa horrível mesmo.
Serra, segunda-feira, 22 de dezembro
de 2014.
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