quinta-feira, 16 de março de 2017


Uma Política de Erros

 

                            Com a idéia fixa de sobrevalorizar os acertos e penalizar os que erram o mundo tem perdido muito, como sempre quando se fixa num dos pólos do par polar oposto/complementar.

                            Porque erram as PESSOAS (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e os AMBIENTES (municípios/cidades, estados, nações e mundo)? Porque erram os pesquisadores do Conhecimento (agos/artistas, teólogos/religiosos, filósofos/ideólogos, cientistas/técnicos e matemáticos)? Porque erram os governempresas, as políticadministrações, as pessoambientes? Porque erra a psicologia humana?

                            Por soberba ou orgulho, por falta de dados, por precipitação, por necessidade de chamar atenção para si, por aconselhamento d’outrem, por maldade (imputando o erro a outros), por falha instrumental (ou de máquina ou de aparelho), por ortodoxia de grupo? Porque advém o erro? Como a lição de ter cometido o erro é aproveitada ou rejeitada? Que danos os erros causam nas comunidades ou nos grupos de dados?

                            Evidentemente só temos uma política de acertos e de observação e citação dos acertos. O erro é fonte de vergonha, levando muitos ao suicídio. Não obstante, o modelo diz que ele é 50/50 com o acerto, ou seja, em princípio as pessoas tanto poderiam errar quanto acertar, perante a Natureza, e se acertam mais que erram é porque houve uma luta pela sobrevivência do mais apto e essa aptidão crescente levou a uma concentrada atenção para evitar o erro. Mesmo assim ele acontece, a ponto de algum sábio entre o povo escrever: HERRAR É UMANO.

                            O próprio fato de não termos uma linha de estudos dos erros é um erro políticadministrativo grave. Que também deve ser observado enquanto fuga, isto é, incapacidade de enfrentamento.

                            Vitória, domingo, 14 de setembro de 2003.

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